A Regra do Jogo Quando um babaca quer justificar o seu ponto de vista, o néscio, geralmente, usa argumentos risíveis. Isso acontece com muita gente que se diz de esquerda e mais ainda com o pessoal da chamada direita. Isso também é algo comum na academia. Seja no espaço dedicado aos pseudointelectuais (parece que agora é assim que se escreve, sem o hífen mesmo) ou aos marombados, que também têm muito pouco a dizer. Hoje, vou falar de uma expressão muito usada por gente que apoia o modelo econômico hegemônico da atualidade. O neoliberalismo, embora esteja em decadência, ainda não morreu. E muita gente defende que essa é a melhor forma de organização econômica e, portanto, política (e vice-versa). Para os neoliberais, quanto menor a influência do Estado, melhor é a vida de todo mundo. Quando confrontados com o fato de que o neoliberalismo, na maioria dos países onde este de alguma forma foi testado, aumentou a diferença entre ricos e pobres (com vantagem para os primeiros), alguns dos neoliberais mais ingênuos dizem: “Essa é a regra do jogo”. Com isso, eles querem dizer o seguinte: o jogo é bom, a culpa é do jogador ruim. Quem já usou essa expressão foi Diogo Mainardi, o cara que queria ser Paulo Francis. Já ouvi pessoas menos ilustres, dizendo a mesmíssima coisa. Desconfio que haja uma cartilha neoliberal rolando por aí. Por mais estúpido que seja, me disponho a analisar esse argumento. Em qualquer jogo há regras muito claras. E quem as infringe, quase sempre, é punido. No jogo neoliberal as regras não são nada claras. As poucas que existem, como se sabe, são sistematicamente descumpridas. Sobretudo pelos principais defensores do jogo. Em um jogo, normalmente, a pessoa tem a opção de entrar ou ficar de fora da disputa. No mundo real, não existe essa alternativa. O cara é obrigado a competir, gostando ou não da disputa. Em um jogo, todos precisam estar de acordo com as regras. Quem não quiser jogar, fica de fora. Não ganhará o bônus da vitória, mas tampouco será punido com o ônus da derrota. Olhar para a economia global deste início de século XXI e dizer que essas são as regras do jogo, é como colocar a culpar em Deus (para quem Nele acredita, é claro) para tudo quanto é mazela. Não foi nenhuma divindade, desconfio, que fez o mundo como ele é. O jogo do qual os neoliberais tanto falam não é fruto do instinto humano, não é algo inerente ao homem, é coisa da política mesmo (ou da ausência dela). Eu não gosto desse jogo. Não acho ele justo. Diogo Mainardi acha-o justíssimo. Mas como já escrevi neste espaço (para ler o texto intitulado “Diogo Mainardi É Minha Anta”, basta acessar o link abaixo), Mainardi não liga pra grana. Ele não dá a mínima para dinheiro porque sempre o teve em abundância. Assim, convenhamos, é fácil jogar. http://indiegesto.zip.net/arch2008-01-20_2008-01-26.html
Escrito por Leo Gomez às 00h13
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ link ]
|