O gosto dos brasileiros pelo martírio
De acordo com o dicionário Houaiss, o termo “faxina” significa “serviço completo de limpeza”, mas também expressa, segundo o mesmo dicionário, “qualquer trabalho árduo, estafante”. Esse é o ganha-pão de mais de um terço dos brasileiros que vivem em Londres, a capital da Inglaterra. “Sem domínio completo do idioma e autorização para trabalhar legalmente, a opção de emprego encontrada pelos brasileiros que moram em Londres é a limpeza”, explica matéria da Folha de S. Paulo. “O estudo ‘Brazilians in London’ (Brasileiros em Londres), da Universidade Queen Mary e publicado na BBC Brasil, aponta que 32% dos 423 brasileiros entrevistados entre setembro e outubro de 2006 atuam com faxina em casas ou escritórios. Cerca de 80% são mulheres. O ramo de hotelaria e restaurantes aparece em segundo lugar, com 26% dos imigrantes empregados. Em seguida estão os que trabalham como motoristas e motoboys (10%) e os que atuam na construção civil (9%). Outros 3% trabalham como babá, 13% responderam estar fazendo ‘outros serviços’ e 1% está desempregado”, afirma a mesma reportagem do diário paulista. “O estudo indica ainda que há cerca de 200 mil brasileiros no país e que de 130 mil a 160 mil vivem em Londres -53% são ilegais”, acrescenta o texto publicado em 25 de dezembro do ano passado. Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica ao ser confundido com um terrorista suicida, trabalhava na capital inglesa como eletricista, até ser assassinado em 22 de julho de 2005 com sete tiros na cabeça. Analisando a pesquisa da Universidade Queen Mary, apresentada parcialmente no início deste texto, fica evidente o apreço da maioria dos brasileiros pelo martírio (leia-se: subemprego). O gosto pelo suplício, não é segredo para ninguém, é uma das características principais de um potencial homem-bomba. É bom mesmo que a polícia britânica fique alerta. Alguém que abandona um país com tantas oportunidades (leia-se: ironia) por trabalho não qualificado em outra nação só pode estar louco.
Escrito por Leo Gomez às 01h21
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Diogo Mainardi É Minha Anta
Durante alguns anos, meu pai assinou a revista Veja. Em função disso, lia a principal semanal da editora Abril quase semanalmente. Não foi preciso muito tempo para que abandonasse esse hábito. Eu procurava notícias e a Veja me dava apenas opinião. Sentia que estava ficando mais burro do que já sou... Toda essa introdução é somente para explicar que, por acaso, li uma reportagem da “indispensável” no final de 2007. O texto, de autoria de Mario Sabino, fala a respeito do lançamento de Lula É Minha Anta, livro de Diogo Mainardi. A matéria é antiga, foi publicada na edição de número 2.030 da revista (que circulou em outubro do ano passado). Contudo, o desapego de Mainardi ao dinheiro, descrito na reportagem, me deixou surpreso. Daí minha vontade incontrolável de escrever sobre o assunto que segue. No final da matéria, Mario Sabino, que se diz amigo do colunista da Veja, descreve uma cena que teria ocorrido no apartamento de Diogo Mainardi (que mora no Rio de Janeiro):
Uma vez o Diogo caiu na risada. “Por que você está rindo?”, perguntei. “É porque estou fora do radar petista. Enquanto eles gostam de dinheiro e poder, eu gosto mesmo é de dormir”, respondeu o oráculo de Ipanema.
Apenas para esclarecer, o tal “oráculo de Ipanema”, na definição do seu afeto, é Diogo Mainardi. Por esse trecho, fica evidente o desapego do colunista ao vil metal. Devido à mesma matéria, fiquei sabendo que, embora não dê a mínima para o dinheiro, Mainardi usufrui Dele desde cedo. Para a sorte do pequeno Diogo, sua família tinha grana pacas: durante a sua confortável adolescência, ele pôde esquiar no Chile e exibir um Rolex no pulso para o deleite dos incautos. Mais tarde, Mainardi demonstrou, mais uma vez, seu desapego pelo que agrada petistas e tucanos. De acordo com Mario Sabino, o já citado colunista mantém um “belíssimo” apartamento em Veneza. Diogo Mainardi não liga para o dinheiro. Provavelmente, porque sempre o teve. Ele assume, no entanto, que adora dormir. Repousar debaixo de um teto em um dos bairros mais nobres da capital fluminense custa caro. Em Veneza, “num edifício do século XV, com janelas bizantinas, ao lado do Museu Guggenheim” (segundo descrição de Sabino), esse luxo custa ainda mais.
Escrito por Leo Gomez às 00h43
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