INDIEgesto


LOKI

 

Recomendo a cinebiografia de Arnaldo Baptista intitulada “Loki”. O documentário, muito bem recebido em festivais de cinema e por quem vos escreve, conta a história do mais criativo dos Mutantes. Para quem pensou no bonitão do Wolverine, explico: no final dos anos 60 surgiu no Brasil uma banda de rock que influenciou muita gente importante desde então. Um exemplo é o também loki David Byrne, líder do Talking Heads. Eu não sabia disso até ver o filme, admito. Aliás, conhecia mais Talking Heads do que Mutantes. Sim. Eu não entendo muito de música. Tampouco entendo de loucura, um dos temas que o filme aborda, mas suponho que pouca gente entenda. É triste, no entanto, ver a decadência de Arnaldo Baptista causada por alguma espécie de loucura e, muito possivelmente, potencializada pelo uso de drogas. O ápice destrutivo do músico ocorreria com uma tentativa quase bem-sucedida de suicídio. É bonito ver o retorno do Loki do ostracismo. É bacana pensar que algo perdura. É impressionante (e isso fica explícito no filme): a arte de Arnaldo Baptista é apreciada por gente que entende bulhufas de português. Deve ser tranquilizador saber que, após a morte definitiva, você será lembrado, mas também deve ser muito frustrante quando a morte chega antes do coração parar de bater. O documentário, de Paulo Henrique Fontenelle, termina com uma apresentação dos Mutantes (com Zélia Duncan no lugar que foi de Rita Lee) ocorrida, em 2007, no Museu do Ipiranga. Eu não estava lá. Mas emociona ver o show na tela grande. É lindo, bicho!



Escrito por Leo Gomez às 00h00
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A contradição de Simone de Beauvoir

 

“Viver Sem Tempos Mortos” foi uma frase, dizem, comum nos protestos de Maio de 1968 na França. Esse também é o nome de monólogo da atriz Fernanda Montenegro. A temporada em São Paulo foi encerrada no último domingo, dia 28 de junho. Lamento por quem não conseguiu ingressos para ver a atriz em ação. Fernanda Montenegro encarna, como de praxe, a alma do bom teatro. Não que eu entenda muito de dramaturgia, mas o que senti não precisa de análise mais profunda. Na peça, a octogenária interpreta a francesa Simone de Beauvoir. O texto é baseado em cartas da filósofa para o também filósofo Jean-Paul Sartre. A pesquisa das correspondências, agora eu sei, foi feita por Newton Goldman, a quem dou os parabéns. Afinal, a qualidade do texto é um dos pontos fortes da peça. Nunca li nenhuma das obras da filósofa, mas a figura que surge dessas cartas me parece deveras contraditória. Ela não queria saber de casamento, contudo, criou um vínculo com o existencialista que durou até o fim da vida do mesmo. Ela queria ser livre, entretanto, abandona uma relação com outro homem para não se distanciar de Sartre. Em defesa de Simone de Beauvoir, é importante lembrar: ela viveu em tempos mortos para a maioria das mulheres. Nascida em janeiro de 1908, foi apenas no final dos anos 60 e começo dos 70 que, de fato, teve início a emancipação das mulheres. Mesmo na França, o século XX foi cruel para a maioria das fêmeas. A mulher, naquele período (e mesmo hoje), não podia se dar ao luxo da contradição: ou era puta ou era santa. A peça mostra muito bem o quão brilhante e contraditória foi Simone de Beauvoir.



Escrito por Leo Gomez às 19h02
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Brasileiro só reclama em fila de banco

 

 

Tem um amigo meu que sempre diz: sou radical, não fundamentalista. Confesso que, até hoje, não entendia direito qual seria o sentido dessa frase. Corado pela vergonha da ignorância, decidi procurar o significado dos dois termos no dicionário online Michaelis, que sempre me pareceu uma ferramenta muito confiável. “Radical”, de acordo com a coletânea, é um vocábulo “pertencente ou relativo à raiz.” A palavra também diz respeito “à base, ao fundamento, à origem de qualquer coisa”. Já “fundamentalista”, de acordo com o mesmo dicionário, é a “pessoa adepta do fundamentalismo.” Fundamentalismo, por sua vez, é a “crença na forma estritamente ortodoxa de uma religião, não admitindo idéias reformistas” ou também a “adesão a quaisquer doutrinas estritamente ortodoxas.” Meu amigo é um dos ativistas mais importantes do movimento brasileiro de Aids. E também um dos seus mais antigos integrantes. Faz sentido quando fala em radicalismo, afinal, ele integra, quase desde a origem, um movimento cada vez mais enfraquecido, como a maioria dos movimentos sociais, aliás, mas que salvou milhares de vidas ao lutar pela distribuição gratuita de medicamentos que seriam inacessíveis para a maioria dos brasileiros. Mas ele não é fundamentalista, pois não é ortodoxo. Meu amigo admite idéias diferentes das suas, mas lembra que vive em um país historicamente dominado pelos moderados. E vejamos os resultados: os moderados nos deram de herança uma das piores distribuições de renda do mundo, entre outras sacanagens seculares. Os moderados, é importante ressaltar, são moderados com os outros. Com os seus, eles são extremamente permissivos e condescendentes. Eles também podem ser chamados de cordiais. Tudo começou com as Capitanias Hereditárias. Como o nome indica, o negócio por aqui é hereditário. Em algumas regiões da nação isso fica mais claro: famílias se apropriam do Estado para seu bel-prazer. É o país da pergunta mais matuta do planeta Terra: Sabe com quem você tá falando? Ariano Suassuna brinca, em tom muito sério, que é radical porque todos são liberais demais. O escritor diz que faz isso para equilibrar um pouquinho o quadro geral das coisas. O brasileiro, de uma maneira geral, só é radical na fila do banco. Reparem: nessas filas sempre tem um exaltado reclamando a espera do apoio dos outros infelizes, digo, clientes.   



Escrito por Leo Gomez às 19h08
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Garapa: um soco no estômago vazio

 

Imagine ser torturado por quase duas horas. Foi assim que eu me senti ao sair da sala de cinema após ver “Garapa”. O documentário, que trata da fome no Brasil, é o novo filme de José Padilha, diretor de “Tropa de Elite”. Garapa é uma mistura de água e açúcar usada para aplacar a fome, sobretudo de crianças que, em condições ideais, estariam ingerindo leite. O documentário, em preto e branco (e sem trilha sonora), acompanha o cotidiano de três famílias cearenses. O filme, posso adiantar, provoca um tremendo desconforto e não trata apenas da falta de alimento, mas da carência de quase tudo o que nos torna humanos. Na vida dessas famílias, saúde e educação praticamente inexistem. Choca ver a criança com dor dente que não tem como ser tratada. Deve ter chocado também a equipe de filmagem, que decidiu comprar um medicamento para minimizar a dor do infante. Hoje, por coincidência, vi uma entrevista, na TV Câmara, de José Padilha. Ele contou que, durante as filmagens, a equipe tomava café da manhã, bem cedo, e depois só voltava a comer no final do dia. Padilha não permitia que se levasse comida aos locais de filmagem. Achei a medida muito razoável. O diretor também disse que as famílias retratadas em “Garapa” hoje estão melhores do que na época das filmagens, ocorridas em 2005. A produção do filme, contou José Padilha, tem dado uma ajuda financeira aos retratados na obra lançada em todo o país com apenas cinco cópias. Isso é reconfortante, mas, de acordo com dados apresentados no próprio filme, 11,5 milhões de brasileiros ainda vivem em situação de insegurança alimentar grave. Ali Kamel, diretor-executivo de jornalismo da TV Globo e colunista do jornal O Globo, contesta os números apresentados em “Garapa”. Ele fez isso, aliás, antes mesmo da estréia do filme. Moço afobado, né? Em artigo publicado em julho de 2008, ele escreveu o seguinte: “Se em seu novo filme, Padilha usar três famílias que passam fome como exemplo de 11 milhões, terá sido induzido a erro pela leitura equivocada de uma pesquisa. Se não fizer as ressalvas, o filme não será a sua volta ao documentário, mas a sua permanência na ficção.” Kamel questiona os dados apresentados em “Garapa”. Para entender o argumento do prócer do grupo midiático da família Marinho, leia o artigo no link abaixo. Apenas para rememorar, Ali Kamel é o autor de “Não somos racistas”, livro no qual ele defende que o brasileiro, em sua maioria, não é racista. De fato, nunca sofri por causa da cor da minha pele. Racismo não faz parte do meu cotidiano, assim como a fome, aliás. Sou branco, bem branco e moro nos Jardins, um dos bairros nobres de São Paulo.

 

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/07/07/_garapa_-547134984.asp

 



Escrito por Leo Gomez às 18h34
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UMA BAIXARIA SUPREMA

Joaquim Barbosa, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), discutiu, nesta semana, com o presidente daquela corte. O debate entre os dois magistrados foi curto e, no mínimo, áspero. Embora seja uma corte, no sentido jurídico do termo, o Supremo não deveria ser um espaço reservado somente aos nobres. Mas como todo mundo sabe, sem grana ou os amigos certos, é muito difícil para um cidadão comum contar com “facilidades” nos tribunais superiores. Durante a briga desta semana, Joaquim Barbosa falou para Gilmar Mendes o que muitos brasileiros gostariam de ter dito. Barbosa acusou o presidente de turno da corte de estar “destruindo” o judiciário deste país. Concordo. Mas também discordo. Ao falar sobre temas que poderá julgar no futuro, Gilmar Mendes julga antecipadamente. Isso é muito grave para um juiz, sobretudo para um dos representantes da corte máxima da nossa republiqueta. Por outro lado, quem diabos ainda confia na justiça desse país? Barbosa errou o tempo verbal. A justiça brasileira já foi destruída e Gilmar Mendes apenas ajudou a sepultá-la. Mendes se porta como um político quando deveria ser apenas um juiz. O presidente do STF, aliás, parece muito com um político de mentirinha que participou, durante muitos anos, do programa televisivo “A Praça É Nossa”. O político em questão era corrupto pra cacete! Felizmente, tudo ficção. Quem notou a semelhança física entre Gilmar Mendes e o larápio da telinha foi um amigo jornalista. Foi do blog dele que tirei a foto que ilustra esse texto. O endereço do blog está logo abaixo da imagem.

http://douglasvidaeobra.blogspot.com/



Escrito por Leo Gomez às 02h30
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A Car System banalizou o crime

É quase regra. Quando a gente é pequeno é idiota pra caramba. Quando cresce, melhora um pouco, mas não muito. Uma das brincadeiras mais comuns das crianças da minha geração era entrar na água e simular um afogamento. Podia ser no mar, na piscina ou em algum rio, o importante era fazer os incautos correrem desesperados em nosso socorro. Depois era só rir do bobão ou da bobona. Caso o incauto em questão nos alcançasse, poderia ser o caso de chorar. Não me lembro se já simulei algum tipo de afogamento, mas é provável que o tenha feito na minha tenra infância. É bem provável, aliás, que também tenha apanhado por isso. Toda essa introdução é somente para falar do mercado brasileiro de monitoramento de veículos por via satélite. Todo esse preâmbulo é para falar de uma das líderes desse mercado, a onipresente Car System. Não passa um dia sem que eu ouça as palavras que alertam para o roubo do carro de mais um cliente da empresa. “Atenção, esse veículo está sendo roubado e é monitorado pela Car System. Ligue…”, diz, mais ou menos, a mensagem da companhia. Em primeiro lugar, uma observação: fazer propaganda do sistema de monitoramento enquanto acontece um roubo (ou assalto) é de muito mal gosto, mas tudo bem, não sou dono ou sócio da empresa. Depois desse pequeno aparte, vamos ao cerne do meu raciocínio. No passado, quando escutava o alerta de algum carro monitorado pela Car System, eu virava o pescoço para ollhar o que estava acontecendo. Se estivesse deitado na minha cama vendo algum programa estúpido da TV, levantava e ia até a janela para ver qual era o veículo que o ladrão tinha escolhido naquela oportunidade. Afinal, a mensagem era bem clara: havia um roubo em andamento. Mas a mensagem, depois de algum tempo, passou a ser repetida todos os dias e, quase sempre, mais de uma vez ao dia. Ao menos pelas ruas nas quais tenho o costume de caminhar. O que acontece agora? Ninguém mais liga para o alerta da Car System. Ninguém mais acredita no que a mensagem diz. Na infância acontecia, cedo ou tarde, a mesma coisa. Depois de vários supostos afogamentos, nossos pais ou amigos também já não davam mais atenção aos gritos de socorro. Muito bocó, infelizmente, deve ter se afogado nessas condições. Hoje, o meliante pode atravessar o país sem ser incomodado, mesmo com mensagem irritante da Car System sendo repetida incessantemente. Ninguém liga. Eu também não.

 



Escrito por Leo Gomez às 22h52
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O Politicamente Correto está tornando o mundo um lugar mais chato

 

 

Quando era criança e adolescente joguei bola com muito “negão”. Nessas partidas, quase sempre, eu recebia a alcunha de “alemão”. Hoje, com o advento do Politicamente Correto, os meninos brancos jogam bola com afrodescendentes. Eu, para alguns, continuo sendo o tal do “alemão”, embora nunca tenha ido para a Alemanha ou tenha qualquer ascendência germânica. Por causa do meu trabalho atual, acompanho alguns encontros da sociedade civil, meio no qual o Politicamente Correto prospera com tanta ortodoxia que, às vezes, provoca situações deveras cômicas. Em uma dessas reuniões, uma pessoa, após uma longa exposição sobre um determinado assunto, indagou: “Tá claro pra todo mundo?” Em seguida, um dos presentes disse, com muita seriedade, que essa expressão poderia parecer preconceituosa. Perguntar se está “claro”, para esse indivíduo, poderia insinuar racismo da parte do interlocutor. Felizmente, a maioria das pessoas que acompanhavam o debate perceberam como aquilo era ridículo. Ao usar o termo “claro” naquela ocasião, o ativista quis perguntar se todos haviam compreendido sua fala. “Claro” significa, entre outras coisas, algo “fácil de entender” (de acordo com o dicionário virtual Michaelis). A utilização da palavra, naquele contexto, estava semânticamente correta. Mas sempre tem um tonto que não analisa o contexto e, por isso mesmo, não consegue identificar seus verdadeiros inimigos e muito menos os seus possíveis aliados. Na mesma onda de estupidez, mudaram o título de um livro de Agatha Christie (1890-1976). Os responsáveis pela obra da escritora britânica consideraram que alguns negros poderiam se sentir ofendidos com o título do clássico "O Caso dos Dez Negrinhos". Para não despertar a ira dessa gente, mudaram o nome da obra para "E Não Sobrou Nenhum". Como ninguém quer jogar dinheiro fora, os mesmos editores tiveram o cuidado de, na parte inferior da capa do livro, colocar o seguinte aviso: “Anteriomente publicado como O CASO DOS DEZ NEGRINHOS”. É sério. Vejam a imagem abaixo. Na vão tentativa de não ofender uma minoria, os sábios do mercado editorial insultaram outra um pouco mais numerosa: as mulheres. Sacanearam Agatha Christie.

 

 



Escrito por Leo Gomez às 22h44
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VENDE-SE ESTILO

 

 

A palavra estilo tem vários significados. Pode ser, de acordo com o dicionário online Michaelis, uma “feição especial” ou o “caráter de uma produção artística de certa época ou certo povo.” Também pode ser um “hábito” ou “costume”. Estilo pode ser ainda a “maneira especial de exprimir os pensamentos, falando ou escrevendo.” Ou então a “maneira de dizer, escrever, compor, pintar ou de esculpir de cada um.” Em resumo: estilo, no meu frágil entendimento, é algo único. É como a digital de cada um de nós. Não há outra igual. Mesmo se tratando de algo inerente ao ser humano, o estilo se tornou uma mercadoria. Uma tal de Irina Cypel, formada pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), colocou-o a venda no seguinte endereço eletrônico: www.cadaumcomseuestilo.com.br. “Consultoria de Estilo é muito mais simples e importante do que as pessoas podem imaginar: é um trabalho feito para quem quer expressar a sua personalidade através de sua aparência. Para quem quer revelar seu estilo e ter um visual autêntico em relação ao seu jeito de ser. É você sair de casa para trabalhar ou encontrar seus amigos sabendo que está vestida com uma roupa que tem tudo a ver com você”, diz texto de apresentação do trabalho de Irina Cypel. A moça, nascida em 1976, promete um “visual autêntico” ao incauto que contratá-la. Autêntico significa, no meu entendimento e também no do dicionário já citado, algo genuíno que, por sua vez, quer dizer “natural” ou “puro”. Não vejo como algo que não é espontâneo, como a compra e venda de um serviço, possa ser natural, mas isso pode ser implicância minha com a moça que, de acordo com o site em questão, também entende de cinema, história da arte e moda. Irina Cypel diz que a sua consultoria permite que a pessoa saia de casa “sabendo que está vestida com uma roupa que tem tudo a ver com você.” Isso, realmente, é muito importante. Sair de casa com uma roupa que não tenha um estilo autêntico pode ser muito perigoso no mundo de hoje. Não vai demorar e algum ignóbil vai te tachar de normal ou comum. Logo você perde o posto de VIP, Prime ou similares e vira apenas um reles cidadão. Irina Cypel representa a vanguarda de um movimento ainda sem nome. Ela salva vidas do anonimato ao propor desigualdade entre iguais. Os verdadeiramentes desiguais continuam onde sempre estiveram: na lata do lixo da história. Esse é mesmo um admirável mundo novo.



Escrito por Leo Gomez às 20h56
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SAPATOS: O SÍMBOLO DA ERA BUSH, MAS MUITO ANTES DO IRAQUIANO RESOLVER ATIRÁ-LOS CONTRA O EX-PRESIDENTE DOS EUA

 

Quando, em dezembro de 2008, um iraquiano tentou dar uma sapatada em George W. Bush, jornalistas do Brasil e do mundo todo consideraram aquele como o ocaso simbólico de uma Era de terror e abuso (e não estou falando dos radicais islâmicos). Para esses supostos formadores de opinião, acho muita presunção alguém pensar que é capaz de formar o juízo alheio, o gesto do iraquiano coincidiu midiaticamente com a desaprovação quase irrestrita aos oitos anos do governo de Bush filho. Para quem não se lembra, o ex-presidente dos EUA, entre outras coisas, invadiu um país com uma desculpa esfarrada. Bush, o semianalfabeto, garantiu aos norte-americanos e ao mundo que o Iraque tinha um terrível arsenal bélico. Em menos de duas semanas de uma guerra desigual, como é a maioria desses conflitos, aliás, o terrível exército iraquiano estava totalmente entregue. Não sei você, raro leitor, mas eu imaginei que uma nação com um arsenal tão destruidor poderia ter resistido um pouco mais. Em março, a invasão do Iraque completa seis anos. Até o momento, nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada em solo iraquiano. Mas voltemos ao sapato. O calçado pode ter sido um dos símbolos da Era Bush, mas, na minha opinião, ele já merecia destaque muito antes de dezembro do ano passado. Em 2005, enquanto o furacão Katrina arrasava New Orleans, a falconídea Condoleezza Rice fazia compras na cosmopolita Nova Iorque. Um dos mimos que a ex-secretária de Estado dos EUA levou para casa foi um par de sapatos avaliado, na época, em mais de mil dólares. A insensibilidade do governo norte-americano naquela oportunidade surpreendeu até os mais críticos. Felizmente, New Orleans, a terra do jazz e do blues, sobreviveu, a despeito de toda omisão do governo mais poderoso do mundo.   



Escrito por Leo Gomez às 20h43
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OS ILUMINADOS

 

 

Tem gente que se acha especial. Que acha que quando morrer não será comido pelos vermes como os demais. Eu, provavelmente, não serei alimento desses bichos por uma razão bem mundana: pretendo ser cremado. Eu não gosto muito das pessoas que se acham especiais. Do lado delas você é obrigado a se sentir um merda. Afinal, elas são tão especiais que o ponto de vista dessas pessoas sobre qualquer tema não é apenas mais um, mas o único ponto de vista a ser considerado. Alguns desses iluminados acham que são especiais pelo fato de terem lido Borges ou Kafka, quando, na verdade, o que fez (e faz) toda a diferença é o dinheiro das suas famílias. Para quem não sabe, é o vil metal, e no mundo de hoje somente Ele, quem pode proporcionar muito luxo e alguma cultura. Pessoas que se acham especiais, com raríssimas exceções, jamais passaram fome. Obviamente, sempre tem algum mendigo que acredita ser Presidente da República ou herdeiro de algum reino perdido, mas isso já é outra história. Lembrei dessas figuras que se acham especiais quando li parte da revista da Livraria Cultura de janeiro deste ano. Na publicação em questão, editada pela livraria de mesmo nome, a cineasta e roteirista Laís Bodanzky fala a respeito de diversos filmes que a teriam marcado. Uma das películas escolhidas pela diretora é “O Jantar”, do italiano Ettore Scola. Ela diz o seguinte sobre o filme: “Tão simples, que passou despercebido pelo grande público, mas por mim não. A simplicidade faz esta obra marcante.” Sim, caros leitores. Nunca na história desse país houve pessoa tão sensível quanto Laís Bodanzky. Pessoas comuns não percebem o que para ela é tão nítido. Muita presunção, misturada com algum estudo: o resultado é Laís Bodanzky. Desprezíveis pessoas comuns, uni-vos!



Escrito por Leo Gomez às 14h31
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Eu tenho mais medo de processos judiciais do que dos mortos

Acima, o mausoléu da família Matarazzo, maior que qualquer casa popular já construída no Brasil

 

Aviso: as imagens que ilustram esse texto podem me custar um processo judicial. Como eu tenho muito medo, a exemplo de algumas atrizes globais, precisei refletir bastante antes de ir em frente na redação do texto que segue. Incentivado pelo álcool (que encoraja até o mais covarde dos homens), venci o terror que se apodera de mim e de alguns funcionários da TV Globo de quatro em quatro anos. No último sábado, 31 de Janeiro, eu e minha namorada visitamos o Cemitério da Consolação, local já famoso pelos seus belos e imponentes jazigos. Diante de túmulos tão formosos, decidi tirar algumas fotos. Quando captava um das 55 imagens que agora tenho arquivadas no meu computador, fui interpelado por um dos funcionários do lugar. Ele disse, com um pouco de agressividade, que era proibido tirar fotos dentro do cemitério e que se eu continuasse com aquilo ele teria de chamar os seguranças. Eu expliquei que não sabia que era proibido tirar fotos naquele recinto, o que é verdade. Quando ele partiu em sua jornada entre os mortos, voltei a tirar fotos. Não sei que crime posso ter cometido ao fotografar jazigos, mas me coloco à disposição das autoridades para receber a punição prevista por tal violação. Antes que seja preso, porém, vou relatar, digo, confessar cada um dos meus passos naquele dia de mórbida transgressão. Enquanto caminhava pelas alamedas arborizadas, no início do passeio, vi um grupo de crianças em volta de um túmulo. Ao lado delas, ajoelhados, estavam dois integrantes devidamente uniformizados dos Arautos do Evangelho, uma organização dissidente e ainda mais radical que a já conservadoríssima TFP (Tradição, Família e Propriedade). O túmulo venerado era de Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP morto em 1995. Embora sejam dissidentes, os Arautos continuam prestando homenagens ao idealizador do movimento que eles dividiram. Após isso, eu e minha namorada continuamos a nossa peregrinação pelo lugar. Perto do fim da caminhada, debaixo de muito sol, encontramos o jazigo do ex-presidente Campos Sales, advogado que comandou o país entre 1898 e 1902. Um belo túmulo, mas pequeno diante do imponente e megalomaníaco mausoléu da família Matarazzo. O jazigo é impressionante. Com cerca de 20 metros de altura, o local poderia abrigar uma caralhada de sem-teto e, talvez, a família do funcionário diletante que nos ameaçou naquele dia. Aposto que o falecido Conde Matarazzo, morto, mora melhor que o funcionário já citado, funcionário tão ciente das suas obrigações. Os ricos podem dormir ou morrer tranquilos, sempre haverá um bando de pobres que se sacrificará para proteger a tradição e fortuna alheias. O miserável em questão, de uniforme puído, é mais realista que o Rei. Ou melhor, neste caso, mais realista que o Conde. 

O túmulo do ex-presidente Campos Sales

Um dos calados moradores do Cemitério da Consolação

Jazigo com uma leve influência… Egípcia?



Escrito por Leo Gomez às 20h16
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Billy Wilder: um dos fodões do cinema

 

Tudo bem que os estrangeiros falem uma língua diferente. Mas podiam pelo menos falar todos a mesma língua diferente

 

A frase acima, de acordo com José Geraldo Couto, é dita, em determinado momento, por um dos personagens de “Avanti… Amantes à Italiana”, filme do genial Billy Wilder. Não vi esse filme, mas o diretor recomendo desde tempos imemoriais. Ele dirigiu, ao menos, três obras clássicas: A Montanha dos Sete Abutres, Crespúsculo dos Deuses e Quanto Mais Quente Melhor. Vi os três. Mais correto seria dizer que pude apreciá-los. O personagem da frase que abre esse texto seria funcionário do Departamento de Estado norte-americano, órgão hoje comandado por Hillary Clinton. Se você gosta de cinema, mas não conhece Billy Wilder, talvez precise repensar o que significa o cinema em sua vida. Se você não gosta da chamada sétima arte, certamente ainda não conheceu essa obra que já deveria ter virado patrimônio imaterial da humanidade. O governo brasileiro já fez isso com a capoeira.



Escrito por Leo Gomez às 21h02
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Não tive nada a ver com o nazismo… Juro!

 

Para Noemi Jaffe, é “inaceitável” comparar qualquer violência que porventura o Estado de Israel venha a cometer com o horror perpetrado pelo nazismo. A professora de literatura usou 477 palavras, em artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo de ontem, para dizer que a Israel atual é bem diferente da Alemanha da época do malucão do Adolf. Que os regimes são bem distintos, não resta a menor dúvida. A maldade pode assumir várias formas, isso não a torna menos ruim. O sacana do Stalin era bem diferente do principal líder nazista, mas isso não o tornava bom. Mas não é sobre isso que pretendo escrever. Quero falar sobre culpa. Em determinado trecho do artigo, a professora escreveu que comparar ações violentas de Israel com os atos hediondos do Estado nazista “é justificar subconscientemente os acontecimentos da segunda guerra e é, também, livrar-se da culpa que todos sentimos pelo que aconteceu.” Noemi, de quem diabos você tá falando? “Culpa que todos sentimos”? Eu não sinto culpa em relação ao holocausto. Culpa, de acordo com o dicionário eletrônico Michaelis, é um “ato repreensível ou criminoso.” Culpa pode ser ainda, segundo o mesmo dicionário: consequência de se ter feito o que não se devia fazer. Entendam bem. O infeliz, para sentir culpa, precisa ter feito alguma sacanagem ou, ao menos, se omitido enquanto presenciou uma. Nasci em 1979, 34 anos depois de encerrada a Segunda Guerra Mundial, período no qual Adolf Hitler deu início a chamada “solução final.” Como não era nascido, não tive como me opor ao nazismo. Não sei se teria feito isso, mas não posso sentir culpa com base em conjeturas. Como não era nascido, também não tive como lutar contra a Inquisição. Como certamente ainda não era nascido, não tive como combater a escravidão de negros na América portuguesa. Somos responsáveis pelos nossos atos, não pelos os dos nossos antepassados. Também somos responsáveis pelas nossas eventuais omissões. Sinto muita culpa, mas de outras coisas.



Escrito por Leo Gomez às 13h47
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UM LIVRO QUE NÃO VALE A PENA

 

Terminei de ler, na semana passada, o longo e enfadonho “Arquipélago Gulag”. O livro, do russo Alexander Soljenítsin, ficou famoso durante a Guerra Fria por denunciar o sistema de campos de concentração da extinta União Soviética. Soljenítsin ficou encarcerado em um desses campos por 11 anos. O período descrito na obra aborda a fase em que essas prisões, conhecidas como gulag, estiveram mais ativas, ou seja, nos tempos do cuzão do Stálin. Não gostei do livro. Achei-o mal escrito. Desconfio que a obra alcançou tamanho destaque no Ocidente porque, na época, era importante denunciar os abusos do regime soviético, independente da qualidade da denúncia. Caso a obra já existisse, Stálin deveria ter obrigado os prisioneiros dos gulags a lê-la. Não haveria tortura maior. Cada página, um dia a menos no cárcere. A maioria dos leitores, posso garantir, abandonaria a empreitada logo cedo. Aliás, é o que eu deveria ter feito.



Escrito por Leo Gomez às 13h32
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Mallu Magalhães: o insulto final

Quando escrevi que a jovem cantora Mallu Magalhães tinha um leve retardo mental ou criou um personagem que se portava como alguém deveras débil, pensei que pudesse ter sido injusto com a moça. Para quem não acompanha meu blog e quer ler o texto na íntegra, basta acessar o seguinte link: http://indiegesto.zip.net/arch2008-12-07_2008-12-13.html. Nesta quinta-feira, minha namorada me enviou um vídeo do You Tube que mostra a participação da garota no programa televisivo Altas Horas. O programa da TV Globo, que teria sido transmitido em 28 de dezembro de 2008, mostra uma Mallu Magalhães vacilante pra caralho! Eu devo adverti-los: é assustador! Como já disse anteriormente, não acredito que alguém que compõe (em outra língua), toca violão e assinou contrato com uma grande operadora de telefonia celular seja tão hesitante. Não acredito nessa aparente ingenuidade da rapariga, assim como não acredito em Deus ou no gorducho do Papai Noel. Abaixo, o link que traz o vídeo já citado.

http://www.youtube.com/watch?v=DzUUOPxdvH0&feature=related



Escrito por Leo Gomez às 17h17
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CONHEÇA O FILÓSOFO MAIS RICO DO PAÍS

O Bradesco é o segundo maior banco privado do país. Do país conhecido como Brasil. Com a aposentadoria de Marcio Cypriano, Luiz Carlos Trabuco vai assumir a presidência da instituição em breve. Trabuco, que entrou no banco em 1969, presidia desde 2003 a Bradesco Seguros, um dos tentáculos do polvo. Nesse cargo (e antes dele), o executivo ficou conhecido por promover uma gestão deveras lucrativa, com ênfase no corte de custos. Funciona assim: você corta o custo alheio, nunca o seu, é claro. A vida dos seus funcionários é cada vez mais insalubre, pois os infelizes ganham menos e trabalham mais (é claro que está cheio de emprego por aí, mas vamos supor que haja desemprego no Brasil e que o cara precise mesmo do emprego). Isso aumenta o lucro da empresa e os seus sagazes executivos recebem bônus cada vez mais gordos. O cliente, se ele não for VIP ou coisa do tipo, terá um atendimento cada vez pior. Quem já esteve em alguma das masmorras do Bradesco, sabe do que estou falando. Mas o mais interessante da biografia de Trabuco é a sua formação acadêmica. O senhor de 57 anos não é um reles economista ou administrador de empresas em busca do vil metal, mas um filósofo da Universidade de São Paulo (USP). Sim. Logo teremos um humanista em um dos cargos mais importantes do mercado financeiro brasileiro. Desconfio que o novo presidente do Bradesco seja, provavelmente, o filósofo mais rico do país. Esse é um filósofo típico do nosso tempo: prático e implacável com os filhos, mulheres e pais dos outros. Abaixo a reflexão ou coisa que o valha... Trabuco neles!

PS: entendo que seria muito cortês se a professora Marilena Chauí enviasse uma carta ou um e-mail ao colega parabenizando-o por mais essa conquista.   



Escrito por Leo Gomez às 20h08
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PROCURA-SE UM SER HUMANO TRANQUILO

Eu adoro ler classificados. Podem ser os classificados de qualquer jornal. Porém, quanto menor a presunção do diário, geralmente, melhor são os seus anúncios. A afetação de um veículo como O Estado de S. Paulo, por exemplo, reduz a grosseria em potencial dessa seção que considero tão nobre. Uma chatice. Parece que uma lei proibiu, mas eu dava socos no ar de alegria quando encontrava o seguinte requisito na parte de empregos: "boa aparência". Pedir "boa aparência" para alguém é muita desfaçatez. E o infeliz que nasceu sem a tal da "boa aparência"? E, afinal, o que pode ser considerado "boa aparência"? É a mãe do candidato quem avalia isso? Se for, a maioria de nós será aprovada com mérito. Na semana passada, a Folha de S. Paulo trouxe um anúncio de emprego, na sua seção de classificados, que, provavelmente, já tocou os anais dos mais pobres. Reproduzo parte desse texto histórico (publicado em 8 de Janeiro de 2009):

MÉDICO(A)

Recem Formado, p/ambulatório na Z.Sul e Z.Leste. Tranquilo. De seg. a sexta, meio período ou integral. Entrevista...

Precisa-se de um médico "tranquilo"? Mas todo médico não deveria ser assim? Quer dizer. Se você tiver diagnosticado um câncer e o cara começar a gritar vai ser bem estranho. Se o cara chamar a adolescente grávida de biscate também vai ser complicado para a auto-estima da dama. Bom, para o empregador pedir alguém "tranquilo", convenhamos, o lugar deve ser um inferno para trabalhar. Para os jornalistas é ainda pior, o empregador, quando ele existe (o que é raro pra caralho), não avisa nada. Nem precisa, quem é jornalista sabe que, quando (e se) conseguir uma ocupação, irá trabalhar demais e ganhar de menos. Mas o pior: a expectativa de vida de todos nós só têm aumentado. Será uma longa e insalubre existência. Com 30, você será mais velho que o meu pai de 60. "Boa aparência" mesmo, só o pessoal que nunca precisou folhear os classificados. Aqueles que chamamos de elite e que nos chamam de povo.

PS: pode-se substituir a palavra jornalista por muitos outros termos profissionais. É que decidi ilustrar a argumentação com base em uma experiência pessoal. A mudança, acredito, não acarreta em nenhum prejuízo para o entendimento do texto. Insalubridade é o que não falta nesse país.



Escrito por Leo Gomez às 18h47
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ISRAEL JUDIA

Israel não tem como perder, mas também não tem como ganhar do Hamas. Não falo apenas da atual ofensiva na ofensiva Faixa de Gaza, falo, por meio dessas palavras, da história de resistência dos palestinos, dos próprios judeus ou de qualquer povo ameaçado por forças externas. O grupo palestino, considerado terrorista por uma caralhada de gente, não representa uma ameaça militar para o Estado que se tornou porto (in)seguro para judeus de todo o mundo desde a sua fundação em 1948. Militarmente, os palestinos não têm a menor chance contra Israel. A diferença entre o número de mortos de um lado e do outro no atual conflito comprovam isso. Ainda assim, os israelenses não têm como vencer o Hamas. O grupo conta com o apoio da maior parte da população da Faixa de Gaza, cansada da corrupção e da ineficiência do Fatah. Não por acaso, os integrantes do grupo islâmico foram os vencedores das últimas eleições realizadas por ali. Para extirpar o Hamas daquele território, seria necessário exterminar boa parte dos palestinos que tiveram o azar de nascer na pobre, violenta e superpovoada Faixa de Gaza. Na atual ofensiva, o exército de Israel tem agido de uma forma parecida com a da polícia carioca, ao menos quando a corporação decide invadir os morros da cidade do Rio de Janeiro. A PM fluminense mata indiscriminadamente, os meganhas de Israel também. Mas não acredito que o extermínio da população palestina seja uma política do Estado judeu. Embora alguns governos daquele país tenham tido essa intenção. É inegável, no entanto, que Israel, no momento, tem judiado muito dos palestinos. Os maltratos não começaram com a recente invasão, a Faixa de Gaza estava isolada do mundo há muito tempo. Muita gente justifica ações militares do tipo dizendo que "o Hamas não é bonzinho." Concordo. Assim como Israel também não é um exemplo de bondade. Mas não é por isso que crianças e mulheres devam ser chacinadas, sejam elas palestinas, israelenses ou cariocas.      



Escrito por Leo Gomez às 21h57
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O que é o Natal para um ateu?

Na tradição cristã, Natal representa o nascimento de Cristo. Para um ateu, como quem vos escreve, o que significa essa data? Eu pensei isso na noite de ontem e na manhã de hoje. Tudo por culpa de um judeu que apareceu aqui em casa e lembrou aos presentes que os hebreus não comemoram essa data. Em um país com uma influência ainda tão forte da Igreja Católica, você pode facilmente esquecer que existem outras religiões nessa nação filha da puta. Sou ateu, mas não creio que Deus não exista. Eu apenas duvido da existência Dele. É bem diferente. Crença, para mim, é coisa de fundamentalista religioso. Eu não creio em nada, eu apenas tento refletir sobre tudo que leio, vejo, escuto e sinto. Mas qual o significado do Natal para esse ateu chato como uma suposta virgem da Daslu? Eu encaro a data como uma orgia. Não uma orgia no sentido carnal do termo, mas na acepção que diz respeito ao excesso. Para uma parte da população é comida demais, bebida demais. Eu sou um desses sortudos: todo Natal como além do que o meu estômago pode comportar. Contudo, não acho que o desperdício seja uma boa maneira de organização coletiva. Seja qual for a sua religião, é bom você saber: os recursos desse planeta são finitos.



Escrito por Leo Gomez às 15h22
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UMA VERDADE INCONVENIENTE

"Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo"

José Saramago - Prêmio Nobel de Literatura de 1998



Escrito por Leo Gomez às 18h42
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NÃO SEMOS RACISTAS: A PÁTRIA HARMÔNICA DE ALI KAMEL, UM FODÃO DA TV GLOBO

Em 2006, Ali Kamel, atual diretor-executivo de jornalismo da Rede Globo de Televisão, lançou um livro de piadas intitulado "Não somos racistas". Na obra, que traz o combativo subtítulo de "Uma reação aos que querem nos transformar em uma nação bicolor", o jornalista crítica a política de cotas de raciais. Ele também escreve, entre outras coisas, que um branco pobre tem a mesma educação ruim que um negro nessas mesmas condições sócio-econômicas. Em resumo: para Ali Kamel, o grande problema do Brasil seria a pobreza, independente da raça da pessoa. O dinheiro e não cor, seria, digamos, o principal estímulo segregacionista. O jornalista, no mesmo livro, ressalta que diversos estudos científicos têm demonstrado que raças não existem, que o código genético de um branco pode ser mais próximo do de um negro do que quando comparado com o material genético de indivíduos considerados, outrora, da sua mesma raça. Não posso discordar desse ponto. O conceito de raças, de fato, tem sido sistematicamente anulado. Contudo, há uma coisa que a ciência, Ali Kamel, os dogmas de toda e qualquer religião e nem mesmo Caetano Veloso podem questionar: a cor da pele. Minha pele é bem clara, portanto, me considero branco. Minha querida amiga Claudinha tem a pele bem mais escura que a minha. Em função disso, imagino que ela se considera negra. Se ela já sofreu preconceito por causa disso nunca perguntei, mas a tonalidade da sua pele está exposta para que todos possam ver. E tem muita gente nesse país que não gosta de pessoas que tenham a cor da pele negra. Isso se chama preconceito. É uma tremenda imbecilidade, mas todos nós conhecemos ou já ouvimos falar de algum racista de merda, geralmente, quem mais nega e se indigna com insinuações do tipo. É a velha hipocrisia brasileira travestida de cordialidade. Se Ali Kamel acha mais adequado falar somente em preconceito, desacompanhado dos termos raça ou racial, tudo bem, ajamos de acordo com os preceitos mais modernos que o tema exige. Apenas um adendo, sou contra quase qualquer tipo de cota. Quando digo quase é porque considero alguns tipos de cotas muito bem-vindos. Por exemplo, uma cota de grana para cada cidadão brasileiro. Os mais pobres devem ter direito a uma porção maior do nosso Produto Interno Bruto (PIB). E não falo de Bolsa Família ou similiares, isso é trocado, falo da nossa riqueza diariamente apropriada por alguns poucos. Para esses também seria importante pensar em uma cota cadeia. Sabe como é, não pode haver tratamento desigual para seres humanos iguais. Essa é uma das teses de Ali Kamel.    

PS: ainda não li "Não somos racistas". Pretendo fazê-lo. Se tiver sido injusto com Ali Kamel, peço desculpas, mas tudo o que escrevi é com base em diversas resenhas sobre o livro lançado em 2006. Mas com esse título, convenhamos, é mais fácil Diogo Mainardi passar a apoiar o governo Lula do que eu precisar retratar-me.



Escrito por Leo Gomez às 13h12
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O que Mallu Magalhães e o menino do filme "Sexto Sentido" têm em comum?

Alguém, certa vez, escreveu ou disse sobre Haley Joel Osment, o menino que vê gente morta no filme "Sexto Sentido", algo mais ou menos assim: ele tem 12 anos, parece alguém de dez e fala como alguém de trinta. Eu posso ter errado os números, isso é bem provável, mas a idéia é essa. Mallu Magalhães, a cantora mais hype do momento, tem alguma coisa em comum com o agora adulto Haley Joel Osment. A adolescente tem 16 anos, parece alguém de 15 (ou talvez 14) e fala como alguém de 10. Em todas as entrevistas ou aparições que vi da jovem, ela parece ter um leve retardo mental. Como todo hype que se preze, me parece que Mallu Magalhães criou um personagem. Uma persona que abusa da inocência, ou seja, da ausência de qualquer malícia. Não acredito nisso. Não acredito que alguém que compõe, canta, toca e assinou contrato com uma grande operadora de telefonia celular seja tão ingênua. Quando vejo Mallu na TV, só enxergo afetação. É vaidade demais. Ego do tamanho de um Camelo. Essa, em geral, é uma característica dos artistas. Sobretudo quando o condenado é do mundinho hype. Esse mundinho do qual só os eleitos fazem parte.

PS: talvez, no meu íntimo, eu tenha um pouco de inveja do sucesso precoce de Mallu Magalhães. Isso é uma característica humana, seja o indivíduo hype ou não. Mas isso não anula uma crítica bem fundamentada, como a que acho que fiz acima.



Escrito por Leo Gomez às 22h44
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GRÊMIO HOMENAGEIA SÃO PAULO, O PRIMEIRO HEXACAMPEÃO BRASILEIRO

Gremistas, assim como o presidente Lula em campanha, adoram umas "bravatas". No último domingo, 7 de dezembro, o goleiro da equipe gaúcha disse que o time era o "campeão moral" do Brasileiro 2008. Todo campeonato só pode ter um vencedor e nesse ano o melhor time de futebol do país é o São Paulo Futebol Clube. O tricolor paulista ganhou porque foi mais competente que os demais. Além disso, teve uma ajuda involuntária dos ex-líderes do torneio Flamengo e Grêmio, que não tiveram competência para manter-se na frente. Após algumas "bravatas" de dirigentes e jogadores, hoje o Grêmio se curva diante da superioridade do São Paulo. "CAMPEÃO DOS PONTOS CORRIDOS, LUTADOS E DISPUTADOS ATÉ O ÚLTIMO LANCE", diz, em letras garrafais, um anúncio do Clube dos 13. "HOMENAGEM AO SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE, CAMPEÃO BRASILEIRO DE 2008", acrescenta a peça publicitária que ocupa uma página inteira de jornais de grande circulação. O Grêmio faz parte do Clube dos 13. O nome do clube gaúcho está no rodapé do anúncio, bem longe do símbolo do São Paulo, que ornamenta o alto da página em questão.   

 



Escrito por Leo Gomez às 21h54
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O BRASIL DESARMADO

 

A sigla Bric reúne a primeira letra dos seguintes países: Brasil, Rússia, Índia e China. O acrônimo foi criado pelo Goldman Sachs para designar nações “emergentes” que, na avaliação do banco de investimentos, irão se tornar as maiores potências econômicas do mundo até 2050. Reparem em algo curioso: o Brasil é o único desses países que não tem armas nucleares. Diante dessa constatação, não tenho dúvidas em afirmar que a liderança brasileira continuará sendo regional. Bombas nucleares são armas de destruição em massa, mas são, principalmente, armas de dissuasão em grande escala. Se o teu inimigo tiver essas armas, você não irá atacá-lo sem pensar bem nas conseqüências. O Brasil errou ao assinar o Tratado de Não-Proliferação Nuclear. Abrir mão de uma tecnologia armamentista já desenvolvida por outras nações coloca em risco a soberania nacional. Abrir mão de desenvolver armas nucleares enquanto outros o fazem é não considerar que um país pode ter muitos inimigos, sobretudo se ele se tornar uma potência global, como sugere a análise do Goldman Sachs. Análise com a qual eu discordo, aliás, mas especular é sempre saudável.  

 



Escrito por Leo Gomez às 21h33
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A MEDIOCRIDADE PETISTA E TUCANA

 

Não gosto muito de tucanos. Em sua maioria, são arrogantes e insensíveis a coisas que considero relevantes, como saúde e educação (de qualidade) para quem não pode pagar por esses luxos. Tucanos acham que importar teorias é o mesmo que criá-las. Eles acham que o que é bom e funciona na Suécia, também serve para o Brasil. Eles têm certeza de que a Dinamarca é aqui. Afinal, se o infeliz não “subiu” na vida foi por falta de empenho, não por falta de educação, não por culpa da conjuntura sócio-econômica e nem mesmo pela ausência de uma alimentação adequada na infância. Nada disso influencia a vida do cara que tiver a determinação necessária. É verdade. Olhem o exemplo de Daniel Dantas. Esse, inegavelmente, “subiu” na vida. O governo FHC proporcionou muito desenvolvimento para Dantas e sua turma. O povo, no entanto, perdeu o bonde da história ao não aproveitar as “oportunidades” surgidas durante o processo de privatização ou “privataria” (termo do genial Elio Gaspari). Ontem, li um artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo. Intitulado “Lula-aqui, Evo-ali, Obama-lá”, o texto é assinado por Augusto de Franco, que, de acordo com o diário paulista, foi conselheiro e membro do Comitê Executivo do Conselho da Comunidade Solidária durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Não sei se ele é filiado ao PSDB, mas pelas suas idéias diria que se trata de um legítimo tucano. Sobre o atual presidente, Franco diz o seguinte: “Ele quer ser condutor de rebanhos, guia de povos. Quer palanques extraordinários, não a ordinária rotina das tarefas administrativas.” Não vou discutir o que Luiz Inácio Lula da Silva almeja. Não votei na reeleição dele, não sou filiado ao PT, não tenho nenhum motivo para defender o principal mandatário do país. Nem ele me pediu isso, aliás. O que me chamou a atenção nesse trecho do artigo foi quando o autor fala em “ordinária rotina das tarefas administrativas.” Não visão de Augusto de Franco, é disso que o presidente brasileiro tem de se ocupar: “a ordinária rotina das tarefas administrativas.” Isso! Genial! Nós elegemos um cara para comandar um país, pagamos o seu salário durante, ao menos, quatro anos e a gente só pede que ele se ocupe da “ordinária rotina das tarefas administrativas.” Discordando um pouco do escritor Augusto de Franco, eu penso que o administrador (existem várias faculdades para isso) deva administrar e o presidente governar. O presidente deveria pensar a médio e longo prazo. Deveria se ocupar daquilo que o cidadão comum não pode ou não quer. Eu paguei FHC para isso. Eu pago Lula para isso. Mas nenhum dos dois fez isso. Eles não tiveram ambição. Quer dizer, só tiveram ambição eleitoral. Fora isso, ambos se ocuparam da “ordinária rotina das tarefas administrativas.” Boa parte da nossa elite, sobretudo a representada pelo mercado financeiro, acredita que essa é a função do presidente da República. Acredita e irá recompensar os ex-mandatários por isso. Para FHC, um instituto que leva o seu nome e que tem o objetivo, de acordo com o site da própria entidade, de “promover o debate interdisciplinar sobre os desafios que o Brasil e o mundo enfrentam na busca do desenvolvimento sustentável, dada a necessidade de se proporem novas agendas de políticas públicas, alinhadas com as idéias-força da democracia, do multilateralismo, da integração internacional e da paz.” E eu que achei que ele iria fazer coisas desse tipo durante os seus oito anos de governo? E para o Lula? Bom, para o petista o dono do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, sinalizou com um projeto pós-2010. A idéia, revelada em setembro deste ano, é aproximar Lula dos empresários. O que isso significa? Bom, para mim ainda não ficou muito claro. Mas faz algum sentido, tá na hora do nosso presidente dar um pouquinho de atenção aos donos do PIB. Ele já passou tempo demais ao lado dos trabalhadores e dentro do partido que diz representá-los.



Escrito por Leo Gomez às 21h29
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A VIDA COMO ELA É

 

A LG Electronics, fabricante de produtos eletrônicos, tem (ou tinha) uma campanha publicitária cujo slogan é “Life´s Good” (em português algo como “a vida é boa”). Diante da crise econômica mundial, a multinacional promete reduzir o alcance da campanha. Sobre a mudança, o diretor de marketing da empresa, Andrew Warner, teria dito o seguinte: “A vida, na verdade, não está tão boa agora.” “Agora”? Como assim “agora”? Antes estava tudo bem? Antes da crise econômica global a vida era tão boa assim? Talvez para alguns. Com certeza não para a maioria. Mário Magalhães, ex-ombudsman do jornal Folha de S. Paulo, escreveu, em março deste ano, sobre o risco de “imaginar que a vida de todos é igual à de alguns.” Ele referia-se, com essa frase, ao trabalho jornalístico, mas eu a estenderia aos demais profissionais, seja qual for a sua área de atuação. Não só alguns, mas todos eles.  



Escrito por Leo Gomez às 01h22
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A GENTE REALMENTE PRECISA DE MAIS CARROS?

 

O governo do estado de São Paulo lançou ontem um pacote de ajuda financeira ao mercado automotivo. A linha de crédito, a ser oferecida pelo banco Nossa Caixa, é de 4 bilhões de reais, o mesmo valor anunciado na semana passada pelo governo Lula. “Estamos somando esforços com o governo federal no sentido de fornecer crédito para manter o nível de emprego na economia”, disse o governador José Serra. Manter ou criar empregos é ótimo. Oferecer crédito também. Mas não seria mais interessante fornecer empréstimos para setores da economia que geram mais empregos? Como a construção civil, por exemplo. Não seria mais interessante oferecer crédito para programas de saneamento básico e construção de casas populares? É muita ambição? Ter onde morar e cagar é o mínimo que se pode esperar de um governo que se diz tão preocupado com os problemas sociais do país. Se a idéia é investir em transporte, eu sugeriria o seguinte: vamos incentivar o transporte coletivo. Vamos dar empréstimos para a construção de futuras linhas de metrô e também para novos corredores de ônibus. A cidade de São Paulo precisa muito disso. E não de mais carros. Eu sei que muitas outras capitais brasileiras também. O governo federal quer gerar empregos? Quer injetar dinheiro na economia? Basta reduzir, um pouquinho, a nossa pornográfica taxa de juros. Se tivesse grana, eu ia investir boa parte do meu capital em títulos da dívida brasileira atrelados a Selic, a taxa de juros do Banco Central. Eu não ia gerar um único emprego, mas iria multiplar a minha renda. E sem levantar a bunda do vaso.  



Escrito por Leo Gomez às 12h16
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AINDA JORNALISTA

 

É engraçado e triste. Quando eu me tornei, de fato, jornalista, mais difícil ficou a minha vida profissional. Quanto mais eu me torno jornalista, maior a desilusão e angústia com os meus pares. Quanto mais jornalista eu me considero, maior a vergonha por sê-lo. É isso o que alguns chamam de crítica, coisa que avalio como essencial ao exercício dessa nobre e entojante profissão. De uma caralhada de anos pra cá, crítica, seja quam for o seu componente ideológico ou político, se tornou algo desprezado, temido e até mesmo reprimido dentro das redações. Ao menos na maior parte delas. Sobretudo na chamada grande imprensa. Nada surpreendente. A imprensa é reflexo do país no qual está inserida. E não o contrário. Podem discorda disso, é claro.



Escrito por Leo Gomez às 14h20
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NEPOTISMO É COISA NOSSA

 

O brasileiro é, no geral, um cabra sem-vergonha. Fala mal dos políticos, mas, se ocupasse os seus lugares na quebrada também conhecida como Brasília, faria tudo igualzinho. O brasileiro comum é tão corrupto quanto o doutor de colarinho branco. O brasileiro, de acordo com pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), aceita o nepotismo. Para quem não sabe, o nepotismo acontece quando um funcionário público emprega um familiar (ou vários). Relatos de nepotismo são muito comuns em todo o país. É uma praga! Como os gafanhotos. Com a diferença de que uns devastam plantações e outros comem dinheiro. Grana pública, mas que os malandros da vez tratam como se fosse privada. Do seu bolso para a privada.  



Escrito por Leo Gomez às 22h33
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O INDIGESTO MUNDINHO INDIE

 

Gosto muito de “Hermes e Renato”. Pra quem não conhece, esse é o nome de um grupo humorístico que há muitos anos foi, digamos, cooptado pela MTV brasileira. Recomendo um vídeo explicitamente irônico que eles fizeram sobre o mundo indie, moderno ou seja lá qual for o nome dessa merda toda que, assim como a torcida da Portuguesa, cabe em uma kombi. O vídeo, assaz engraçado, pode ser visto no link abaixo.

 

http://www.youtube.com/watch?v=oGY-OkRclnU



Escrito por Leo Gomez às 21h51
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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Jornalista e analfabeto digital
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