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"Eu não sou jornalista desses que jornalizam, sou vendedor jornaleteiro" (Chaves)
Escrito por Léo Nogueira às 20h53
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PINHEIRINHO: NUNCA É DEMAIS LEMBRAR
No linkão abaixo, um texto de minha autoria publicado no site (ou "jornal on-line") do Coletivo Passa Palavra.
http://passapalavra.info/?p=56550
Escrito por Léo Nogueira às 12h44
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UM AUTOR OBSTINADO Um autor que escreveu apenas uma peça de teatro, a qual só podia ser encenada uma única vez, e naquele que, em sua opinião, era o melhor teatro do mundo, dirigida pelo, também em sua opinião, melhor diretor do mundo e representada apenas e tão somente pelos, em sua opinião, melhores atores do mundo, acomodou-se, ainda antes de abertas as cortinas da noite de estreia, no local mais apropriado da galeria, invisível ao público, posicionou seu fuzil automático, construído especialmente para esse fim pela firma suíça Vetterli, e, abertas as cortinas, pôs-se a disparar um tiro mortal na cabeça de todo espectador que, em sua opinião, risse no momento errado. No final da apresentação, só restavam no teatro espectadores por ele alvejados, ou seja, mortos. Durante toda a encenação, os atores e o administrador do teatro não se deixaram perturbar um só instante pelo autor obstinado e pelos acontecimentos por ele provocados. -Conto (curtinho) do livro “O imitador de vozes”, de Thomas Bernhard
Escrito por Léo Nogueira às 19h08
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A QUEM INTERESSAR POSSA 
Escrito por Léo Nogueira às 13h38
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A FILOSOFIA DO PEIDO
Para homenagear um poeta (o sambista e carnívoro paulistano Lu Tomé) usarei as palavras de outro poeta (o cordelista e xilogravurista pernambucano J. Borges): Vários poetas escreveram o valor que o peido tem eu achei muito engraçado o peido é feito um trem tanto apita como ronca na hora que o peido vem Trecho de “A Filosofia do Peido”, cordel de J. Borges
Escrito por Léo Nogueira às 16h44
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Parem de falar que a USP é a melhor universidade do país A Universidade de São Paulo (USP), de acordo com rankings internacionais e com o senso comum, é a melhor instituição de ensino superior do Brasil e da América Latina. Mas, no momento, não é isso o que está em debate. Ou não é isso o que deveria estar em discussão. O que uma parte dos estudantes da USP e uma parte da sociedade de fora da academia questionam é o déficit democrático da universidade. Dizer que se trata da melhor instituição do país, nesse momento, só servirá aos “argumentos” risíveis de alguns bocós que dirão: será, então, diante dos resultados acadêmicos alcançados mundo a fora, que uma gestão autoritária não seria a melhor? Não seria esse o modelo mais eficaz? A questão da qualidade do ensino e do vigor da produção científica da USP é outro debate (talvez ainda mais complexo). O debate agora, na opinião de quem nunca estudou na USP, é sobre a aparente falta de espaços democráticos para regulação e fiscalização do funcionamento da principal universidade do país. O que torna a USP tão pouco democrática? Vou dar um ou dois exemplos. Dois. Vão ser dois: 1. A eleição para reitor, atualmente, tem dois turnos. No primeiro, apenas 1.925 eleitores participam. No segundo, ainda menos: 330 almas. Após a “eleição”, uma lista tríplice é encaminhada ao governador que, tradicionalmente, escolhe o candidato mais votado. A USP tem cerca de 80 mil alunos. Uma pequeníssima parte dos estudantes pode votar (e apenas no primeiro turno) na eleição para reitor. Engraçado... Quando dois mil alunos participam de uma assembléia pra decretar greve ou o quer que seja, parte da imprensa e da sociedade (por meio da mãe dos burros: a internet) diz que não se trata de algo representativo ou legítimo. Afinal, são mais de 80 mil alunos! E só dois mil votaram! É uma minoria! Gritam, desesperados, os arautos da liberdade. Quando é o momento de escolher o reitor e um número ainda menor de alunos vota, não há qualquer reação no fígado ou nos rins dos mesmos democratas. Também não custa lembrar o seguinte: em várias das universidades federais o número dos que podem votar é bem maior do que o verificado na USP. Além disso, o voto, nas mesmas instituições federais, é, quase sempre, paritário (ou seja: o sufrágio de alunos, professores e funcionários têm o mesmo peso). 2. Também é importante lembrar o seguinte: o atual reitor foi o segundo colocado na última "eleição" realizada na USP (pleito indireto, o que, na minha singela opinião, já é uma bela contradição). Mesmo assim, ele foi o escolhido pelo ex-governador José Serra da lista tríplice encaminhada ao Palácio dos Bandeirantes. “Essa foi a primeira vez desde a ditadura militar que um governador não escolheu o primeiro da lista tríplice para reitor”, lembrou, em novembro de 2009, reportagem do, ao menos nessa questão, insuspeito jornal O Estado de S. Paulo. Ainda mais importante: não questiono o convênio assinado entre a reitoria e a Polícia Militar. Afinal, como questionar algo que desconheço? Alguém teve acesso ao documento em questão? Eu não. Poucos tiveram, aliás. Assim se faz democracia na USP. Não são apenas os arquivos da época da ditadura que precisam ser abertos. Não. Os entulhos do regime militar (e civil) continuam por aí.
Escrito por Léo Nogueira às 19h04
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SOMOS GENTE DE OUTRA NATUREZA Você não precisa comer merda pra desconfiar que o gosto não será muito agradável. Também não precisa ler o blog do “jornalista” Reinaldo Azevedo pra saber que será uma experiência bastante desagradável. Tem um amigo bem antigo do meu pai que diz que eu comia merda na infância. A história nunca foi confirmada, mas, diante dessa possibilidade, achei justo dar uma nova chance ao “Rei” (é assim como parte dos seus admiradores o chamam). Acessei, depois de um longo recesso, o blog de Reinaldo Azevedo quando soube do câncer do ex-presidente Lula. Tinha interesse em saber como o blogueiro trataria do assunto (afinal, já tinha lido muitas manifestações nojentas sobre o tema nas redes sociais e nos comentários de reportagens publicadas na internet). Em 30 de outubro de 2011, Azevedo publicou um texto intitulado “O câncer não é instrumento de vingança política, não é uma lição de vida, não é um livro didático! Ele só ensina que é preciso vencê-lo. Nada mais!”. Para minha surpresa, embora o título seja ridículo, o texto, ao menos no início, é razoavelmente polido. “Eu espero, de verdade!, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se recupere plenamente. E peço aos leitores que sejam comedidos ao relacionar críticas de natureza política ao estado de saúde do petista. Cortei alguns comentários que me pareceram além do aceitável, o que não quer dizer que eu concorde com muitos outros que foram publicados. A doença de Lula não pode cercear a liberdade de expressão, mas costumo apelar, em momentos assim, a uma palavra que me é muito cara: decoro. Não existe decoro sem ponderação”, diz o primeiro parágrafo. “Boa parte do que Lula representa, a meu juízo, tem de ser vencido se quisermos um país responsável, mas é o amadurecimento da sociedade brasileira que tem de lograr esse propósito. Que ele continue com saúde para que possa ser enfrentado por aquilo que pensa, diz e faz”, acrescenta o blogueiro. Até esse ponto, e não estou sendo irônico nem nada, achei o texto bem razoável: ele respeita o ser humano que enfrenta uma doença (independente da sua opinião política ou coisa que o valha sobre o mesmo). Mas... Mas fiel aos seus princípios, Reinaldo Azevedo logo oferece ao leitor um tiquinho do seu destempero (um rancor estranho pra alguém que parece tão seguro das suas ideias e que profere tantas certezas diariamente): “Mas nada disso deve levar os que não simpatizam com o petismo a cruzar a linha do bom senso e do bom gosto. Comportamento de petista não é um padrão que se deva usar para balizar o nosso próprio comportamento.” E acrescenta: “Nada disso, minhas caras, meus caros! Somos gente de outra natureza.” Terminei de ler o texto, fui até o banheiro vomitar e depois escrevi o seguinte comentário: Léo Nogueira 31/10/2011 às 1:01 Seu comentário está aguardando moderação
“Somos gente de outra natureza.” A frase anterior é de Reinaldo Azevedo (texto acima, início do 4º parágrafo). Será que o blogueiro quer dizer que natureza dele e dos seus seguidores é melhor do que a de outros seres humanos? Os nazistas tinham um raciocínio parecido, mas usavam o termo raça… Patético! Como em outra oportunidade (já descrita nesse blog), fui censurado pelo “Rei”. Não acredito que com minhas palavras tenha ferido qualquer tipo de “decoro”. Aliás, outros comentários, bem indecorosos, foram publicados e estão disponíveis pra quem quiser ler e, em seguida, dar uma golfada no toalete mais próximo. Vou dar apenas dois exemplos (pois foram muitos os comentários, digamos, indelicados): Ivo Wenclaski 31/10/2011 às 9:35 Frase da semana: “Nunca antes neste país” alguém garganteou tanto até criar um câncer… na garganta! 1986 E o PT, junto com outras esquerdalhas, é o câncer do Brasil. Somente uma quimioterapia e radioterapia nas URNAS para acabar com essa doença. O câncer de laringe não se curará de Lula, pois o Apedeuta já se encontra em estado avançado. Acima foi, apenas, uma ironia. hehe Creio que Lula sairá dessa na maior, fácil, fácil. Pois o tratamento nem chegou na fase de radioterapia. Amanhã ele estará dando as suas palestras com um novo preço: 500 mil. E a vida segue…. Não vou me estender muito nesse aspecto, mas tenho uma (quase) certeza: a maioria dos internautas, se perguntados sobre o tema em uma via pública, diria que não deseja mal ao ex-presidente ou a quem quer que seja. Isso se chama cinismo. Gente cínica se utiliza do anonimato pra escrever coisas que jamais diria em público. Também existem aqueles, seres, geralmente, bem baixos e vis, que não se utilizam do anonimato, mas acreditam que a internet é um espaço no qual podem descarregar todos os seus preconceitos e ódios sem o risco de lidar com a possível reação encontrada no mundo real. Contudo, a rede também faz parte do mundo real. Os militares dos EUA a criaram com um objetivo bem mundano: impedir que a comunicação do exército fosse interrompida em caso de ataque da extinta União Soviética. Pagamos contas e fazemos compras pela rede. Isso me parece algo bem próximo da vida real (mas tem uma porção de gente que não entende ou finge não entender isso). “A doença de Lula não pode cercear a liberdade de expressão”, defendeu o próprio blogueiro no primeiro parágrafo do seu texto. Ele adora falar em liberdade de imprensa ou de expressão, mas não tem o costume de aceitá-la quando ela não lhe apetece. Reinaldo Azevedo, em suma, é um mentiroso. Além de um colunista medíocre. Falta-lhe honestidade intelectual (como apontei no escrito do link abaixo). http://indiegesto.zip.net/arch2011-01-23_2011-01-29.html Eu talvez comesse merda na tenra infância. É possível. Mas o “Rei”, que já passou dos 50, escreve merda diariamente. Ele, ao que tudo indica, ainda está na chamada fase anal. Parece um senhor respeitável, mas não passa de um bebê que não gosta de ser contrariado. Talvez o bebezão, afinal, esteja certo: somos gente de outra natureza. Ainda que, de vez em quando, tenha os meus chiliques, posso suportar o dissenso. Posso aguentar uma observação que não seja tão favorável aos meus argumentos. O “jornalista”, ao que parece, não. Até o momento da publicação desse escrito, 724 comentários acompanhavam o texto de Reinaldo Azevedo. O meu comentário continuava censurado pelo “moderador”.
Escrito por Léo Nogueira às 01h35
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DEMÔNIO RALADO No link abaixo, uma peça de minha autoria. http://www.teatroparaalguem.com.br/category/demonio-ralado/
Escrito por Léo Nogueira às 16h37
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Tira publicada hoje no caderno Ilustrada (do jornal Folha de S. Paulo) Macanudo - Liniers 
Escrito por Léo Nogueira às 12h46
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Ricos pagam pouco* VLADIMIR SAFATLE Há alguns dias, uma pesquisa veio mostrar o que todos aqueles que realmente se preocupam com reforma tributária no Brasil sabem: os ricos pagam pouco imposto. Quem recebe R$ 3.300 por mês, leva para casa, descontados Imposto de Renda e Previdência, 84% do seu salário. Já alguém que ganha R$ 26.600 por mês, leva 74%. Um profissional holandês, por exemplo, pode contar apenas com 55% de seu salário, e mesmo um norte-americano traz para casa menos que um brasileiro: 70%. Ao mesmo tempo em que descobríamos a vida tranquila dos ricos brasileiros, chega a notícia de que a quantidade de milionários no Brasil aumentou 5,9% em 2010, atingindo a marca de 115,4 mil pessoas com fortuna de, ao menos, US$ 1 milhão. O que não deveria nos surpreender. Afinal, vivemos em um país onde o processo de concentração de renda está tão institucionalizado que as classes mais abastadas têm um sistema de defesa de seus rendimentos sem par em outros países industrializados. Dentro de alguns anos, a chamada nova classe média descobrirá que não conseguirá mais continuar sua ascensão social. Entre outras coisas, ela tomará consciência de como seu orçamento é brutalmente corroído por despesas com educação e saúde. Um Estado preocupado com seu povo taxaria os ricos e as grandes fortunas a fim de ter dinheiro suficiente para criar um verdadeiro sistema público de educação e saúde. Por que não criar, por exemplo, um imposto sobre grandes fortunas vinculado exclusivamente à educação? Isto permitiria que essa nova classe média continuasse sua ascensão social. Tal ascensão seria ainda mais facilitada se a carga tributária brasileira parasse de privilegiar o consumo, e focasse a renda. Uma carga focada no consumo, ou seja, embutida em produtos, é mais sentida por quem ganha menos. Há pouco, um estudo mostrou como o 0,1% mais bem pago no Reino Unido recebia, em 1979, 1,3% dos salários. Hoje, recebe 5% e, em 2030, deve receber 14%. Costuma-se dizer que uma das maiores astúcias do Diabo é nos convencer de que ele não existe. Uma das maiores astúcias do discurso conservador é nos convencer, diante de dados dessa natureza, de que conflito de classe é um delírio de esquerdista centenário. Mesmo que vejamos um processo brutal de concentração de renda institucionalizado e intocado por qualquer partido que esteja no poder, mesmo que vejamos a tendência de espoliação dos recursos de países industrializados por camadas mais ricas da população, tudo deve ser um complô dos incompetentes contra aqueles que bravamente venceram na vida graças apenas a seu entusiasmo e capacidade visionária, não é mesmo? *Texto publicado, em 28 de junho de 2011, no jornal Folha de S. Paulo
Escrito por Léo Nogueira às 11h16
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ABAIXO A FICHA LIMPA!
Eu sou contra a tal da Ficha Limpa. Antes mesmo, aliás, da ideia se tornar lei. E vou tentar explicar, no texto que segue, o porquê disso. O projeto em questão nasceu de uma iniciativa popular e tinha como objetivo declarado barrar a candidatura a cargos eletivos de pessoas condenadas pela justiça brasileira. Por meio de um instrumento previsto na Constituição de 1988, a população pode enviar projetos de lei ao Congresso Nacional. Para que esses projetos sejam aceitos pelos parlamentares, a legislação exige, entre outras coisas, que pelo menos 1% de todos os eleitores do país subscrevam o pedido. Após ultrapassar o número de assinaturas necessárias (mais de 1,3 milhão), o projeto da Ficha Limpa foi enviado ao Congresso em 29 de setembro de 2009. A proposta então foi aprovada pela Câmara dos Deputados (e Senado) e, em junho do ano passado, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Lei Complementar nº 135/2010). Em tese, pois se trata de uma tese, a lei significa um baita avanço. Afinal, ela, em teoria, impede a candidatura de malandros e similares. Após alguma reflexão, no entanto, me dei conta que, talvez, a nova regra não seja tão boa assim. O cidadão comum abriu mão de parte dos seus já limitadíssimos poderes em troca de uma panaceia. A Lei Complementar número 135 diz, em seu Artigo 1º, que são inelegíveis: d) os que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, para a eleição na qual concorrem ou tenham sido diplomados, bem como para as que se realizarem nos 8 (oito) anos seguintes; O trecho acima é bem claro: cabe aos juízes eleitorais julgar se uma representação contra determinada pessoa é válida ou não. Essa, repito, é uma decisão soberana do magistrado (sobre a qual o eleitor nada poderá fazer). A partir daí, concluo o seguinte: 1. O eleitor, ingenuamente, abriu mão de eleger (ou não) determinado candidato, deixando para um único juiz (ou um grupo deles) decidir sobre o futuro político de quem aspira a um cargo eletivo. Agora, ao menos em algumas ocasiões, teremos eleições indiretas, assim como na época da Ditadura Militar. 2. Se já não bastasse termos ampliado ainda mais o poder de um grupo (sabidamente corporativista, com é, aliás, a maioria das confrarias), também não podemos esquecer que leis não são tão objetivas quanto gostaríamos. Eventualmente, o julgamento realizado por esses magistrados poderá nos agradar, mas... Mas não é segredo para qualquer adulto que a justiça é bem menos rigorosa com aqueles que detêm o poder econômico e, portanto, político. A mesma Lei diz que são inelegíveis, por uma série de crimes, “os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena”. Ou seja: uma pessoa nas condições descritas anteriormente não poderia, sempre em tese, ser candidata. A proposta parece ser boa, mas precisamos lembrar o seguinte: uma condenação definitiva, para alguém que tenha bens e bons advogados, é como um nazista gente boa (algo que não existe nem na teoria). O pobre, ou aquele que não tiver facilidades nas instâncias superiores da justiça, será condenado com muito mais rigor e, portanto, impedido de concorrer a quaisquer cargos eletivos. O voto censitário vigorou no Brasil em boa parte do século XIX. A nova regra, quem sabe, ajudará, no começo do XXI, a criar o candidato censitário (se o cara tiver dinheiro, concorre). Estou exagerando? Talvez. Mas, caso seja um cidadão sem tantos recursos (o que chamo de fudido), vá tentar buscar os seus “direitos” na justiça pra ver o que é bom. Pela interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a última instância da justiça eleitoral a julgar quem é ou não é inelegível, Paulo Maluf, que não pode sair do país sob o risco de ser preso pela Interpol, estava apto a concorrer nas eleições do ano passado. Ele concorreu e foi eleito. Para o mesmo TSE, no entanto, João e Janete Capiberibe não poderiam ter concorrido no pleito de 2010. Como o Supremo Tribunal Federal, que está acima do TSE, julgou que a Lei Ficha Limpa só valerá a partir das eleições de 2012, o casal pôde assumir os mandatos que lhe haviam sido outorgados pelo “povão” (homenagem ao recente artigo do ex-presidente FHC). Chamo atenção para o caso dos Capiberibe porque, ao contrário do histórico de Maluf, ele tem poucas evidências que sustentem uma condenação. Em 10 de fevereiro de 2011, Janio de Freitas, publicou, na Folha de S. Paulo, um texto sobre o caso (parcialmente reproduzido abaixo). “Eleitos senador e deputada em 2002 pelo Amapá, João e Janete Capiberibe são acusados do crime eleitoral de compra de votos e cassados, ele em 2005, ela em 2006. Como prova do crime, os depoimentos de duas mulheres socialmente humildes, que disseram haver recebido por seu voto. Nada mais do que duas pessoas, em todo o Estado, como testemunhas. E nenhum elemento de convicção, nada a comprová-las. Os valores: R$ 26 para cada uma. Nem esse quebrado sem motivo e coincidente suscitou interesse, do princípio do processo à sentença final do TSE, entre as várias inconsistências. O dono de TV e de rádio e rico suplente Gilvam Borges foi empossado para revelar-se um senador fosco, sem preparo algum. Em junho do ano passado, Roberval Araujo, com a intimidade de cinegrafista de Gilvam Borges, denunciou que o chefe e então candidato derrotado o mandara ofertar carro e mesada a duas pessoas, para acusarem o recebimento de R$ 26 por seus votos nos Capiberibe. A denúncia das duas valeu para cassar o senador e a deputada; a do cinegrafista não valeu nem para impedir que ambos, eleitos outra vez em outubro passado, fossem vitimados pelo TSE com base na Ficha Limpa. Com dois novos depoimentos que acusam Gilvam Borges, feitos por ex-funcionários da TV e da rádio e relatados por Kátia Brasil na Folha de ontem, há uma clareza: o TSE é a parte a ser questionada, por sua responsabilidade nas sentenças que, antes baseadas em afirmações inconvincentes, estão desqualificadas por três testemunhos no mínimo tão válidos quanto os dois da condenação. E há mais uma forte razão: os precedentes da chamada Justiça Eleitoral do Amapá, no caso, não são recomendáveis. Os Capiberibe poderiam comprar milhares de votos, mas os dois de que são acusados não servem de base para um Tribunal Superior Eleitoral cassar mandatos e partes essenciais de vidas. O TSE deve esclarecer-se e esclarecer.”
Eu defendo que o “povão” eleja quem bem entender. Se as pessoas escolhem o seu candidato com menos cuidado do que escolhem a sua peça de picanha, isso é problema delas. Para um país com o nosso histórico, o “cidadão” poder escolher os seus representantes, mesmo com todos os absurdos do “sistema” (termo antigo resgatado pelo filme “Tropa de Elite 2”), já é um avanço. Isso, ora bolas, é algo parecido com o que se convencionou chamar de democracia. Tutela, que rima com Nutella, é boa pra gente “de menor” e não pra quem se considera gente grande. PS: a quem interessar possa... Recomendo Nutella com Bisnaguinha Seven Boys. É uma delícia. J
Escrito por Léo Nogueira às 18h19
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H. L. Mencken
O jornalista estadunidense Henry Louis Mencken (1880-1956) foi um frasista genial. Um dia morreu: coisa que vem acontecendo desde tempos imemoriais. Por falta de tempo, aliás, destaco apenas uma das suas muitas frases: “Consciência é a voz interior que nos avisa que alguém pode estar olhando.” O twitter ganharia muito com ele (para a citação anterior, por exemplo, foram necessários, contando os espaços, somente 72 caracteres). Mas algo me diz que ele não teria tanto seguidores quanto luminares do porte de Luciano Huck ou Ronaldo Fenômeno.
Escrito por Léo Nogueira às 15h33
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"Existe sempre alguma coisa ausente que me atormenta", frase da escultora francesa Camille Claudel (1864-1943)
Escrito por Léo Nogueira às 19h19
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PENSAMENTOZINHO BEM LEGAL “Um conselho, neste estágio, principalmente, em que não se tem nada a perder, é tornar tudo o mais pessoal que puderem em relação ao que sentem sobre esta ou aquela coisa. Isso deixará o trabalho mais interessante. Não ter medo de correr riscos. Não fazer apenas pelo que as pessoas acham ou deixam de achar. Algumas pessoas fazem bem coisas que outras querem ver... Sabem como fazer isso, o que é bom. Mas outros não sabem como fazê-lo, não sabem nem por onde começar. Acho que é sempre mais interessante fazer algo que é genuíno, não importa o que você ache que será a reação dos outros, desde que tenha a certeza de ter dado o melhor de si. Não importa o quanto possa parecer maluco, siga em frente! Siga esse instinto, isso o diferenciará das outras pessoas” Robert De Niro em trecho de entrevista concedida ao programa “Insite the Actors Studio”. O ator respondia a uma pergunta do público sobre que conselho daria aos novos autores teatrais.
Escrito por Léo Nogueira às 16h11
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PROVOCAÇÃO “Provocações” talvez seja o melhor programa de entrevistas da televisão (aberta) brasileira. Na TV fechada temos o “Milênio”, que também não faz feio. O primeiro é transmitido pela TV Cultura. O segundo pelo canal Globo News. Ambos são semanais. Ambos são bem recomendáveis. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, por exemplo, foi entrevistado, em janeiro deste ano, pelo jornalista Jorge Pontual para o programa “Milênio”. Puta entrevista! Zizek é histriônico e falastrão, mas entende muito de cinema e de quase tudo que não dá dinheiro. Mas a entrevista mais interessante que vi recentemente foi do jornalista Florestan Fernandes Jr. Ele não é tão provocativo quanto Zizek ou brilhante como o pai (o falecido sociólogo e político brasileiro Florestan Fernandes), mas a sinceridade do entrevistado foi tocante. Em entrevista para o programa “Provocações”, ele contou ao apresentador, o ator e diretor Antônio Abujamra, o que o pai havia lhe dito sobre o PT, nos anos 80, após ter aceitado disputar o cargo de deputado federal pelo partido. “Filho, não se iluda. O PT não é a esquerda. São apenas sindicalistas que querem melhorar de vida. E isso já é um avanço”, teria dito o sociólogo. Concordo. Muito atual o Sr. Fernandes. A ascensão de uma nova classe pode equilibrar um pouco o jogo (a exemplo do ocorrido na França no final do século XVIII). Antônio Abujamra termina o programa em questão de forma didática. Ele cita o jornalista estadunidense Joseph Pulitzer, que em 1904 escreveu o seguinte: “O poder de moldar a República estará nas mãos dos jornalistas das futuras gerações.” O próprio jornalista, completou Abujamra, teria dito mais tarde: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil quanto ela mesma”. Novamente concordo. Atualíssimo o Sr. Pulitzer.
Escrito por Léo Nogueira às 19h15
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“Atiramos o passado ao abismo, mas não nos inclinamos para ver se está bem morto” William Shakespeare, dramaturgo das antigas
Escrito por Léo Nogueira às 12h33
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Reinaldo Azevedo: o censor A censura não acabou. E, provavelmente, nunca vai acabar. Afinal, ela se manifesta de várias formas. Não é preciso um ditadorzinho pra que ela aconteça. Basta o indivíduo ter algum poder e a vontade de exercê-lo pode falar mais alto do que qualquer pendor libertário. Juízes brasileiros de diversas instâncias têm praticado a censura. Políticos, idem. O caso envolvendo o atual governador do Paraná, Beto Richa, é um exemplo disso. Pra quem não lembra, eu explico: durante a campanha ao governo daquele estado no ano passado, a coligação de Richa entrou na justiça para proibir a divulgação de pesquisas eleitorais que, aparentemente, não lhe eram favoráveis. Beto Richa, ex-prefeito de Curitiba, foi eleito. Donos de veículos de comunicação, por meio, principalmente, de aduladores que se dizem jornalistas, também praticam a censura cotidianamente. No ano passado, a psicanalista Maria Rita Khel foi demitida por ter escrito um texto que desagradou aos donos do jornal O Estado de S. Paulo. Ironicamente, o diário, que pune quem não comunga com o seu ideário, estampa em suas páginas que está há 546 dias sob censura (levando-se em conta a data de hoje). A censura não acontece somente nos veículos da imprensa tradicional, mas também na chamada blogosfera. Em julho de 2009, Ricardo Kotscho (ou o “moderador” do seu blog) censurou um comentário de minha autoria. Um comentário em nada ofensivo, mas que talvez tenha sido impertinente. Publiquei, em 18 de agosto de 2009, um texto sobre o caso no Observatório da Imprensa (“O caso da adoção de duas meninas”). No dia 12 de janeiro de 2011, fui novamente censurado por um blog bastante conhecido. Reinaldo Azevedo ou, quem sabe, o responsável pela “moderação” do seu blog censurou um comentário de quem vos escreve. O primeiro caso me surpreendeu bastante. O segundo nem um pouco. Naquela data, Reinaldo Azevedo escreveu um texto sobre as chuvas que castigavam, sobretudo, os estados de São Paulo e Rio de Janeiro (“Os mortos que já vêm com sepultura”). “Um estudo sério da renda dos moradores de áreas irregulares, incluindo as favelas de São Paulo, surpreenderia muita gente. Boa parte teria condições de morar em outros locais, pagando certamente aluguel”, escreveu Azevedo. Atualmente trabalho na Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo e posso garantir: estudos sérios sobre o tema apontam exatamente o contrário. Nem precisaria, aliás, ser uma pessoa que atua na área da assistência social pra desconfiar do equívoco do autor em questão. Basta ver o preço dos imóveis e aluguéis na capital paulista e compará-los com a renda média do cidadão local. Surpreendente é alguém escrever uma bobagem dessas e ainda ser levado a sério por muita gente. Mas a realidade, nessas horas, só atrapalha, não é mesmo? Contudo, a pérola mais reluzente do texto ainda estava por vir: Mas o misto de populismo e esquerdismo que impera na área impede que se faça a coisa certa. Resumindo: a argumentação de Reinaldo Azevedo, sobretudo no trecho acima, foi tão frágil que me senti impelido a fazer algum comentário. Escrevi, mais ou menos, o seguinte: Reinaldo Azevedo escreve que um “misto de populismo e esquerdismo” impera na área (impedindo qualquer solução). Até parece que entre 1964 e 1985 tivemos no Brasil uma ditadura do proletariado (leia-se: de esquerda). Afinal, foi nesse período, principalmente, que as cidades brasileiras começaram a crescer desordenadamente, provocando um aumento do déficit habitacional e também da ocupação de áreas irregulares do país. Conhecer a história é importante para escrever sobre o presente. Honestidade intelectual também vem a calhar de vez em quando... Reinaldo Azevedo ou o responsável pela “moderação” do blog deve ter ficado bem magoado com o meu comentário, pois, quase imediatamente, a minha opinião foi retirada do ar. Para mostrar que realmente fui censurado, decidi reescrever o comentário e, em seguida, “salvar” a página em questão. Foi isso que fiz às 19h27 daquela quarta-feira: Léo Nogueira 12/01/2011 às 19:27 Seu comentário está aguardando moderação Rê Azevedo escreveu que um “misto de populismo e esquerdismo” impera na área (impedindo qualquer solução). Até parece que entre 1964 e 1985 tivemos no Brasil uma Ditadura do proletariado (leia-se: de esquerda). Pois foi nesse período, principalmente, que as cidades brasileiras começaram a crescer desordenadamente, provocando um aumento do déficit habitacional do país e das ocupações de áreas irregulares. Conhecer a história é importante para escrever sobre o presente. Honestidade intelectual também vem a calhar de vez em quando… Talvez Reinaldo Azevedo tenha ficado ofendido com a minha falsa intimidade (chamei-o de “Rê”). O comentário foi novamente apagado. Dois minutos depois fiz um novo comentário, quase idêntico ao anterior. Às 19h32 do dia 12 de janeiro de 2011 publiquei o meu terceiro e último comentário, muito parecido com os anteriores. Dessa vez acrescentei saber que seria, em breve, alvo de censura: Léo Nogueira 12/01/2011 às 19:32 Seu comentário está aguardando moderação Sei que vou ser novamente censurado, mas repito: Rê Azevedo escreveu que um “misto de populismo e esquerdismo” impera na área (impedindo qualquer solução). Até parece que entre 1964 e 1985 tivemos no Brasil uma Ditadura do proletariado (leia-se: de esquerda). Pois foi nesse período, principalmente, que as cidades brasileiras começaram a crescer desordenadamente, provocando um aumento do déficit habitacional do país e das ocupações de áreas irregulares. Conhecer a história é importante para escrever sobre o presente. Honestidade intelectual também vem a calhar de vez em quando… Fiquei triste com a censura. Eu gostava de Reinaldo Azevedo... É mentira. Admito: nunca gostei dele. Mas acreditava que ele pudesse aceitar comentários divergentes dos seus em seu blog (assim como eu os aceito no meu). Mas, ao que parece, naquele espaço ele só quer consenso e bajulação (parte dos seus leitores ou, talvez, súditos o chamam de “Rei”). Mesmo se isso significar obscurantismo e mediocridade. Aliás, acho que é exatamente com isso que ele conta para garantir o seu emprego. Como exemplo, listo alguns dos comentários que não foram censurados (destaque para uma tal de Sueli): sueli 12/01/2011 às 19:03 “Um estudo sério da renda dos moradores de áreas irregulares, incluindo as favelas de São Paulo, surpreenderia muita gente.” Concordo com você, Reinaldo. Os favelados são explorados por outros favelados, alguns donos de barracos nem moram na favela. Muitos invasores de favelas, invadem, constroem os barracos, vende-os e vão para outros lugares para novas invasões. São Bandidos.
sueli O pessoal das favelas das beiras de córregos e de rios é o eleitorado do PT e os petralhas não irão querer jamais que eles saiam de lá. Nenhum governo petralha em São Paulo fez tantas moradias quanto o do Kassab. Cadê as casas do Governo Federal? Cadê o Lula? Cadê a Dilma? Bem feito para quem acredita neles.
Charles Fernando Gomes Nos EUA a esquerda usa a tragédia de Giffords para ganhos políticos, aqui com o PT é a mesma coisa.. nada de novo embaixo de sol.
Pinheiro A ideologia vermelha tem a cor do sangue. Socialistas são vampiros do sangue alheio. Reinaldo Azevedo promete, aos seus leitores, “Análises políticas em um dos blogs mais acessados do Brasil.” É uma promessa meio cabotina, mas muita gente gosta de uma promessa. Ela é tão bobinha que tinha decidido, antes mesmo da censura, ironizá-la em minha página: INDIEgesto - Um dos blogs menos acessados do Brasil. Eu não prometo nada, mas também não censuro ninguém. Nem mesmo gente com muita preguiça intelectual. Como é o caso do próprio Azevedo e dos seus leitores.
Escrito por Léo Nogueira às 15h39
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Manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus (de R$ 2,70 para R$ 3,00) 

São Paulo, 13 de janeiro de 2011. O protesto, organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), começou em frente ao Teatro Municipal de São Paulo. Seguiu, ordeiramente, para a sede da Prefeitura e percorreu algumas ruas da região central da capital paulista. Na Praça da República, quando o grupo caminhava em direção à Câmara Municipal, teve início um conflito anunciado minutos antes. Explico: um dos policiais que acompanhava a manifestação estava deveras agressivo. Perturbadão. Loki! Parecia um cocainômano em crise de abstinência. Graças ao seu evidente sobrepeso, suas bochechas flácidas e um tanto salientes lhes davam o aspecto de um buldogue. Um buldogue bem bravo. E realmente só faltava morder, pois ele já estava latindo pra todo mundo. Eu estava acompanhado de dois amigos e me afastei do meganha para evitar qualquer “caflito”. O policial em questão, pena que não anotei o seu nome, continuou, com uma escopeta em punho, intimidando manifestantes e exigindo que uma das pistas da via fosse liberada. Diante da situação cada vez mais tensa, tentei afastar parte dos manifestantes dele. Pedi a diversas pessoas que liberassem uma das pistas (minha ideia era evitar que os agentes da lei tivessem um motivozinho qualquer pra dar porrada na galera). A coisa parecia ter se acalmado quando parte dos manifestantes começou a gritar: um pequeno conflito havia se iniciado na área policiada pelo buldogue. Pensei: deu merda. Pensei mais um pouco: o buldogue mordeu alguém. A maior parte dos manifestantes era deveras pacífica. Além de estudantes, o protesto reuniu pessoas, digamos, comuns (como eu), algumas senhoras e até crianças. Espero que todos estejam bem... A maior parte dos manifestantes tentou acalmar a situação. A situação, de fato, parecia estar se normalizando quando um idiotinha derrubou um posto de observação da polícia. O posto está bem, visto que é objeto inanimado, mas a sua queda fez um barulho que atiçou a rapaziada fardada. Os policiais militares, sobretudo o buldogue, queriam apenas um motivo pra descer a porrada em todo mundo. E foi exatamente isso o que aconteceu. Uma polícia despreparada e um bobão foram os detonadores do caos. Eu e meus dois amigos, como tantos outros, saímos correndo pra longe da nuvem de gás lacrimogêneo que se seguiu e nos seguiu. Nós nos refugiamos próximos à entrada de um bar, da onde um jovenzinho gritava: Polícia fascista! Eu pensava: Você acha que os policiais realmente vão se ofender com isso? Pensei: Além disso, você tá revelando a nossa posição pra polícia. Muito esperto! Saímos da porta do bar (e de perto da anta em forma de guri) após uma bomba ser lançada bem perto da gente. Corremos mais um pouco e fomos tomar uma cerveja na Praça Roosevelt. Reportagem do site G1 (link abaixo) fala em cerca de 200 manifestantes. Eu estava lá, protestando, e acredito que havia mais gente. Vai haver um novo protesto no dia 20 janeiro (quinta-feira): a concentração será na Praça do Ciclista (esquina da Consolação com a Paulista). Pretendo participar. Ainda não desisti de Sampa. http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/01/estudantes-enfrentam-a-pm-durante-protesto-em-sp.html
Escrito por Léo Nogueira às 18h12
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Resposta ao poetinha (ou “Ferreira Gullar: o poeta da leviandade” – PARTE 2)
Em novembro de 2010 escrevi, neste mesmo espaço, algumas linhas sobre o poeta Ferreira Gullar. O texto não tratou exatamente do poeta, mas do colunista que escrevinha semanalmente na Folha de S. Paulo. Como ele não mudou e eu também não, volto a escrever sobre o dito cujo. Sim. Eu adoro perder tempo com coisas que não dão dinheiro ou alegria. Em 9 de janeiro de 2011, Gullar publicou um texto, na Folha de S. Paulo daquele domingo, intitulado “Quando dois e dois são cinco”. Na coluna em questão, o poeta escreve sobre Dilma Rousseff, que começou a comandar o país em 1º de janeiro. O texto merece algumas considerações. Abaixo, separei alguns dos trechos que considerei mais estúpidos (grifados em azul). Minha resposta ao texto em questão, grifada em vermelho, vem na sequência. FAZ TEMPO que não toco, aqui, em assuntos políticos e, se volto ao tema hoje, é para refletir, junto com você, leitor, sobre um fato para mim inusitado. Certamente nem todos concordarão comigo ou simplesmente preferirão desconsiderar esse tipo de perplexidade. De qualquer modo, se eu estiver equivocado, peço-lhe desculpas, mas, sinceramente, neste caso, não opino, constato e com espanto. Constato o seguinte: a eleição de Dilma Rousseff à Presidência da República não me parece real. A VIAGEM DO HOMEM À LUA NÃO PARECEU REAL PRA MUITA DE GENTE, MAS TUDO INDICA QUE ELA REALMENTE ACONTECEU. Se quiser entender meu espanto, siga este raciocínio: Dilma Rousseff nunca pretendeu candidatar-se a nenhum cargo eletivo. Embora tenha entrado para a política muito jovem, na época da ditadura, e continuado sua militância após a volta da democracia, jamais disputou eleição alguma. NUNCA TER PRETENDIDO SE CANDIDATAR A NENHUM CARGO ELETIVO NÃO DEPÕE CONTRA DILMA ROUSSEFF. TALVEZ ATÉ DEPONHA A FAVOR... Todo mundo sabe o que aconteceu: foi Lula quem decidiu isso e impôs a ela a decisão. Como acha você que terá reagido Dilma, ao ouvir de Lula a ideia de candidatar-se ao mais alto cargo eletivo do país, ela, que nunca se candidatou a cargo algum? Estou certo de que pediu um tempo para pensar e mal conseguiu dormir aquela noite. "Lula pirou", terá dito ela a si mesma, imóvel na cama, olhando para o teto. "Eu, presidente do Brasil? É maluquice!" LULA OBRIGOU DILMA A CONCORRER À PRESIDÊNCIA? “IMPÔS” ISSO A ELA (COMO ESCREVEU O POETA)? CARAMBA! MAS COMO? LULA, O SAPO BARBUDO, SERÁ CAPAZ DE CONTROLAR A MENTE ALHEIA? BOM, ISSO EXPLICA, AO FINAL DE DOIS MANDATOS, A SUA TAXA DE APROVAÇÃO RECORDE. LULA, A REENCARNAÇÃO DO MAL, CONTROLA AS NOSSAS MENTES. DEVE SER ISSO. SÓ NÃO CONTROLA A MENTE DE UM CERTO POETA QUE É MUITO SABIDO... O resultado é que temos, diante de nós, agora, uma presidente da República que é uma surpresa até para si mesma. Eleita sem ter votos! É quase como um suplente de senador. Olho para ela e me pergunto: essa senhora é de fato a presidente do Brasil ou se trata de uma personagem de novela? Acredito até que ela, às vezes, se belisca para ver se é mesmo verdade. O que não significa que fatalmente fará um mau governo, já que tudo é possível neste mundo surrealista latino-americano. Desejo-lhe boa sorte. ELEITA SEM TER VOTOS? MAS COMO ISSO É POSSÍVEL? DILMA FRAUDOU O PLEITO DO ANO PASSADO? E O PSDB ACEITA ISSO NUMA BOA? BOM, ACHO QUE O POETINHA ESTÁ QUERENDO DIZER QUE DILMA FOI ELEITA MESMO NÃO TENDO UM ELEITORADO QUE SE POSSA CHAMAR DE SEU. MAS O ELEITOR, COM MUITA FREQUÊNCIA, TRANSFERE O SEU VOTO PARA ALIADOS DE POLÍTICOS DOS QUAIS ELE GOSTA. ISSO SE CHAMA DEMOCRACIA.
Escrito por Léo Nogueira às 12h58
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“A maioria das pessoas quer um entretenimento seguro e amigável. Não desejam que seja um ato de agressão. E quase toda arte, em seu melhor, é um ato de agressão contra o status quo. Ou seja: está ali para levantar questões, não para fornecer respostas fáceis, simples.” EDWARD ALBEE Dramaturgo Estadunidense (Trecho de entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo em 30 de dezembro de 2010)
Escrito por Léo Nogueira às 10h47
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Vera “Vergonha Alheia” Fischer
Quando vejo Vera Fischer tentando atuar na TV, o corpo estremece, as pernas desobedecem e inconscientemente a mente procura anular o juízo para que os espasmos não provoquem danos irreversíveis ao corpo de quem vos escreve. Mas é impossível. A inominável (não ouso repetir o seu nome) é ruim demais. Ser péssimo em alguma coisa, penso eu, não deve ser fácil. E olhem que eu não sou grande coisa em bosta nenhuma. A experiência (afinal, estamos falando de uma senhora com muitos anos de cancha) deveria ter ajudado a dama em questão na arte de atuar. Mas não foi o que aconteceu. Contudo, esse texto não é para falar do seu trabalho como atriz, mas da sua atuação em outro campo: o da literatura. Em entrevista publicada na coluna Mônica Bergamo (jornal Folha de S. Paulo), de 13 de dezembro de 2010, ela anunciou que lançaria um romance, o primeiro de uma dezena, alertou a atriz. Não posso afirmar se ela é boa escritora; não li o livro em questão e nada do que ela já tenha escrito. Mas a entrevista foi tão... Tão... Porra, não sei como defini-la. Me faltam palavras! Separei alguns trechos da mesma para os meus amados leitores (lembrem-se: quando uso alguma “exclamação” é sinal (!) de que a coisa é boa):
Dez livros? Fiz um atrás do outro, durante um ano. Como tenho muita imaginação, vou criando personagens. Tem uma situação ou duas pelas quais eu passei. Mas ninguém pode saber, é "segredíssimo". Eu descrevo os personagens, o perfume, as roupas, se é Ungaro ou Valentino. Meus personagens não são nunca pobres, são sempre ricos (gargalhada).
Por quê? Porque eu não gosto, eu não sei escrever pra gente pobre. Eu detesto.
Dessa os pobres se livraram. Ainda bem. Os caras já se fodem muito. Vamos seguir: O que você achou de uma mulher ser eleita presidente? Eu achei que podia uma mulher ser eleita presidente, mas não esta (Dilma Rousseff). Porque essa não dá, né? O PT não dá mais.
Não vou entrar no mérito: tem gente que gosta do PT e gente que não gosta. Tem gente que vota no PSDB e tem gente que nunca votaria nos tucanos. Tem gente que anula. Tem gente que vota no Tiririca ou no Maluf. Ou seja: cada um faz o que bem entende do seu voto. Só é obrigatório votar, nada obriga o cidadão a refletir um tiquinho sobre o sufrágio que lhe é imposto. Mas se eu fosse dar uma entrevista e manifestasse minhas escolhas partidárias talvez, talvez eu tentasse explicar o porquê da minha opção. O que será que ela quis dizer com “não dá, né?” ou “não dá mais”? “Não dá” será sinônimo de “sem comentários”? Pois uma boa tática, em uma entrevista, pra quem não quer ou não tem nada de relevante a dizer sobre determinado assunto é usar o já tradicional “sem comentários”. É menos constrangedor pra todo mundo. A vergonha alheia novamente começa a se apossar de mim... Vergonha alheia. Esse é o nome científico dos sintomas descritos no início.
Escrito por Léo Nogueira às 17h00
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FERREIRA GULLAR: O POETA DA LEVIANDADE Minha esposa diz que Ferreira Gullar é um grande poeta. Eu não posso concordar ou discordar. Nunca li nenhuma das suas poesias. Mas, de vez em quando, leio sua coluna semanal publicada no jornal Folha de S. Paulo. O que me surpreende, geralmente, não é a qualidade do poeta como articulista, mas a sua frequente leviandade. Vou usar como exemplo dessa leviandade um texto que li no ano passado. Considero o escrito, intitulado “Um modo novo de encher a barriga”, paradigmático do modus operandi do poeta. No texto em questão, Ferreira Gullar escreve sobre o Programa Bolsa Família. Fica bastante claro que o poeta é contra o benefício, mas os “argumentos” usados pelo mesmo são sofríveis. “Um conhecido meu, que cria algumas cabeças de gado, contou-me que o vaqueiro de sua fazenda separou-se aparentemente da mulher (com quem tinha três filhos) para que ela pudesse receber a ajuda do Bolsa Família, como mãe solteira e sem emprego”, escreve o poeta no texto publicado em 5 de julho de 2009. O “conhecido” de Gullar deveria, talvez, pensar em pagar melhor o vaqueiro da sua fazenda. Afinal, eu não me separaria da minha esposa se a grana oriunda da artimanha não fosse contribuir substancialmente para o aumento da renda familiar (e todos sabemos que o valor pago pelo Bolsa Família é bem pequenininho). Mas vamos supor que o vaqueiro e sua esposa são “vagabundos” (termo muito usado por gente “trabalhadora” para classificar os beneficiários do programa) e seguir na leitura do texto do poeta: “Ao mesmo tempo, embora já tivesse decidido não ter mais filhos, além dos que já tinham, mudaram de ideia e passaram a ter um filho por ano, de modo que a filharada, de três já passou para sete, sem contar o novo que já está na barriga.” Ferreira Gullar, antes de ter escrito a coluna do ano passado, deveria ter lido o manual do Programa Bolsa Família (é fácil encontrá-lo na internet). Afinal, ele se dispôs a escrever um texto não ficcional. Ou será que a história do vaqueiro é ficção? Dessas ficções ruins que circulam pela internet? Não sei. Isso só o poeta pode dizer. O fato é que se Gullar tivesse lido o manual do programa que tanto o incomoda, ele saberia que cada família pode ter, no máximo, três (3) benefícios para crianças e adolescentes com idades de 0 a 15 anos. Dos 16 aos 17, o máximo de benefícios é para dois (2) jovens por família. Ou seja: boa parte da “filharada” do vaqueiro, supondo que ele realmente exista, não vai ganhar o benefício. Segundo o poeta, a família em questão teria oito filhos (contei “o novo que já está na barriga”). Não sei qual a idade da “molecada”, mas, na melhor das hipóteses, o vaqueiro ganharia uns trocados por cinco dos seus oitos filhos. Não me parece, portanto, um bom negócio para o casal continuar tendo “um filho por ano”. O poeta ou o seu “conhecido” deveriam explicar isso ao vaqueiro: o Bolsa Família tem um limite de beneficiários por família. “Filharada” (expressão usada por Gullar), aliás, não te lembra “ninhada” ou termos similares utilizados para classificar o coletivo de filhotes dos animais chamados irracionais? Deve ter sido apenas coincidência: é provável que um poeta, um homem que vive das palavras há décadas, se confunda de vez em quando. Não posso conceber que um homem da estirpe de Ferreira Gullar queira sugerir que o vaqueiro e sua família não sejam tão racionais ou humanos quanto quem não precisa de um benefício do tipo. Para Gullar, o Bolsa Família é “um modo fácil de aumentar a renda familiar.” Mais fácil ainda é ser leviano.
Escrito por Léo Nogueira às 14h37
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LIBERDADE DE EXPRESSÃO: O DEBATE QUE NÃO ESTAVA LÁ Hipócrita é quem, segundo o dicionário online Michaelis/UOL, “tem hipocrisia”. De acordo com o mesmo glossário, hipocrisia é a manifestação de “fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão etc.; fingimento, falsidade.” Nesse caso, a virtude ou o valor em análise (virtude para alguns, é claro) é a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação ou coisa que o valha. A atual Constituição do Brasil, promulgada em 1988, garante a “livre manifestação do pensamento” de todo os brasileiros. A mesma Constituição diz, em seu Artigo 220, o seguinte: A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. A Constituição, portanto, é bem clara: a manifestação do pensamento não pode sofrer qualquer restrição “sob qualquer forma, processo ou veículo”. Ou seja: nenhum veículo de comunicação pode ser censurado. Mas, como a Constituição não diz nada a esse respeito, pode censurar. E censuram. Embora se digam defensores da minha, da tua, da nossa liberdade de expressão. É isso o que eu chamo de hipocrisia. O caso mais recente dessa política do faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço aconteceu no início de outubro deste ano. A psicanalista Maria Rita Kehl foi demitida pelo jornal O Estado de S. Paulo por ter escrito um artigo que desagradou aos donos do veículo de comunicação em questão. “Fui demitida pelo jornal o Estado de S. Paulo pelo que consideraram um ‘delito’ de opinião (...) Como é que um jornal que anuncia estar sob censura, pode demitir alguém só porque a opinião da pessoa é diferente da sua”, perguntou a psicanalista em entrevista publicada pelo Terra Magazine em 7 de outubro deste ano. Abaixo, link do artigo que motivou a demissão da incendiária, digo, psicanalista: http://www.cartacapital.com.br/politica/dois-pesos%E2%80%A6-maria-rita-khel-diz-tudo No mesmo dia, o diretor de conteúdo do Grupo que controla o Estadão, Ricardo Gandour, deu uma breve entrevista para o mesmo veículo de comunicação. Ele garantiu que não teria havido demissão. Bom, talvez mandar alguém para o olho da rua agora tenha outro nome. Ricardo Gandour explicou que o pé na bunda foi, na verdade, uma “simples gestão de uma coluna específica.” Ah bom. Ele também disse, na época, que estava “havendo uma leitura histérica disso.” Histeria é um termo caro aos psicanalistas, mas acredito que o sabichão usou-o com outra acepção: talvez para atribuir aos que se manifestaram contra a decisão do jornal algum tipo de desequilíbrio. O fato, na época, já tinha me causado indignação. Mas ela aumentou quando Ricardo Gandour, semanas depois do ocorrido, participou de um “debate” no programa Espaço Aberto, da TV fechada GloboNews. As aspas são porque considero irônico um debate no qual todo mundo fala a mesma coisa. No “debate” em questão, Ricardo Gandour, Miriam Leitão e Mac Margolis, correspondente da revista Newsweek no Brasil, falam sobre a relação entre imprensa e democracia. No programa, exibido em 28 de outubro de 2010, Ricardo Gandour diz que a liberdade de imprensa deve ser “total”. Mas não no meu jornal, é claro. Isso ele não disse, sou eu quem escrevo. “A sociedade precisa discutir mais a importância do papel da imprensa livre”, avaliou Gandour. Concordo. “Liberdade total”, repetiu Gandour. Concordo de novo. No fim do programa, Miriam Leitão fez uma defesa da liberdade de expressão: “A imprensa brasileira já enfrentou duas ditaduras, períodos de censura muito pesados. A gente sabe uma coisa. A censura é o grande inimigo.” Concordo. Venha de onde ela vier. O caso Maria Rita Kehl, aliás, não foi mencionado pelos “debatedores”. Acho importante mencionar isso. O “debate”, pra quem tiver interesse, pode ser visto acessando o link abaixo: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1627059-17665-384,00.html Também proporia um debate, dessa vez pra valer, sobre um trecho da Constituição há muito esquecido: Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio. Aí não. Liberdade tem limites!
Escrito por Léo Nogueira às 20h24
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O porquê do meu voto em Dilma Rousseff No link abaixo, artigo de minha autoria escrito antes da realização do primeiro turno das eleições presidenciais de 2010. O texto ainda me parece atual. A quem interessar possa: tentei publicar esse mesmo artigo no “Carta Maior”, site nascido na primeira edição do Fórum Social Mundial. O seu diretor-presidente, Joaquim Ernesto Palhares, respondeu (via iPhone) o seguinte: “Meu caro, não publicamos textos com esse conteúdo.” Não entendi o que ele quis dizer com isso, por isso, pedi mais esclarecimentos. Rapidamente ele me esclareceu: “Não publicamos cartas de apoio a candidaturas”. Discordo dessa linha editorial, embora a respeite. Afinal, pessoas adultas, em tese, podem ler qualquer texto com alguma crítica. Bom, talvez isso seja utopia... http://www.pt-sp.org.br/noticia.asp?p=&acao=verNoticia&id=1244
Escrito por Leo Gomez às 00h24
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"O verdadeiro artista prefere deixar a mulher morrer de fome, os filhos andarem descalços, a mãe septuagenária trabalhar para sustentá-lo, a trabalhar em coisa que não seja a sua arte" George Bernard Shaw (trecho do livro "Socialismo para Milionários")
Escrito por Leo Gomez às 12h47
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O IRÃ QUER A BOMBA. E ESTÁ CERTO. Diversos países ocidentais desconfiam que o Irã esteja desenvolvendo um programa nuclear bélico. O governo de Teerã garante que o seu programa tem fins pacíficos. A maioria das nações envolvidas na querela não acredita nisso. Quem vos escreve também não. Contudo, ao contrário desses países, entendo e defendo o direito dos iranianos, se eles assim desejarem, fabricarem armas atômicas. Não se trata apenas de proteger a autonomia do Irã ou de qualquer outro Estado nessa questão. Mas de reconhecer que ela, a soberania persa, está e esteve em risco, desde pelo menos o início do século passado, no país agora comandado pelos aiatolás. O motivo de tamanho interesse é o que se esconde debaixo do seu solo: petróleo. Buscar a bomba, para o povo iraniano, é assegurar a sua autodeterminação, um dos princípios que norteiam o direito internacional moderno. A Carta de fundação da Organização das Nações Unidas (ONU) diz, em seu primeiro artigo, que um dos propósitos da entidade é desenvolver relações entre as nações “baseadas no respeito ao princípio de igualdade de direitos e de autodeterminação dos povos”. Não enxergo igualdade no campo atômico: alguns poucos países têm a bomba e a maioria não pode sequer almejá-la. A autodeterminação, por sua vez, é uma utopia, sobretudo no caso iraniano. No livro “Todos os Homens do Xá”, o jornalista Stephen Kinzer narra o envolvimento dos EUA na derrubada, em 1953, de um governo eleito democraticamente no Irã. O golpe, que também teve o apoio britânico, resultou em um ditadura de um quarto de século do xá Mohamed Reza Pahlavi. A conspiração foi motivada, principalmente, pela nacionalização da Anglo-Iranian Oil Company pelo governo do primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, um líder intoleravelmente autônomo para Estados Unidos e Inglaterra. Após a vitória da Revolução Islâmica, em 1979, o Irã continuou tendo sua autodeterminação atacada. No ano seguinte, o Iraque, incentivado pelos EUA, invadiu a nação persa. Quando, com base em uma mentira, George W. Bush invadiu, há sete anos, o ex-aliado Iraque, os iranianos novamente devem ter se dado conta dos riscos que é viver sobre a segunda maior reserva de petróleo do planeta. O historiador israelense Martin Levi van Crevel escreveu o seguinte sobre a chamada Guerra do Iraque: “depois desta invasão os iranianos ficaram loucos por ainda não terem desenvolvido nenhuma arma atômica”. Ele sabe do que fala: Israel já tem a sua bomba. Não é oficialmente um Estado nuclear, mas o governo israelense sabe que esse tipo arma garante a sua independência. É um artefato de dissuasão: você dissuade o inimigo de te atacar. O Irã é uma ameaça para o Oriente Médio? Considero que a real ameaça, para qualquer região do planeta, é o desequilíbrio de forças: a desproporção bélica entre nações, sobretudo as limítrofes. Os iranianos, é importante ressaltar, não fizeram parte das coalizões árabes que entraram em conflito com o nascente Estado de Israel em seguidas guerras ao longo do século XX. No passado, os israelenses lutavam pela sua sobrevivência, hoje lutam por hegemonia. Bomba atômica traz, ironicamente, mais segurança ao governo que detivê-la. O cientista político Wanderley Guilherme dos Santos acredita que se o Brasil tivesse armas nucleares outra nações “não teriam a petulância” de questionar a soberania brasileira sobre a Amazônia. Ele expôs sua opinião, em novembro de 2008, ao jornalista Mauricio Dias, da revista Carta Capital. Com o advento do pré-sal o assunto ganha ainda mais importância. Nossas reservas de petróleo recém-descobertas estão seguras? Lembro a você, caro leitor, o seguinte: há cerca de dois anos, o ainda presidente George W. Bush reativou a Quarta Frota da Marinha, que tem como missão proteger os interesses dos EUA nas águas da América Latina e Caribe. Em texto sobre a matéria, publicado em 6 de julho de 2008, o jornalista Elio Gaspari lembra que as forças navais dos Estados Unidos já interviram (ou estiveram bem próximas disso) ao menos quatro vezes no Brasil desde o século XIX. Gaspari baseou o seu cálculo em levantamento de John Coatsworth, um insuspeito professor da Universidade de Columbia. Os EUA, não custa lembrar, foram até hoje a única nação que fez uso de armas atômicas. E os alvos foram duas cidades cheias de civis. Sanções ao Irã? O país dos aiatolás as merece. Mas por outros motivos: a violência contra homossexuais e mulheres, por exemplo. Léo Nogueira Bacharel em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Foi repórter do site Agência de Notícias da Aids. Atualmente exerce o cargo de executivo público na Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social do Estado de São Paulo. E-mail: leogomesnog@gmail.com
Escrito por Leo Gomez às 22h35
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Constatação de um quase trintão...

Escrito por Leo Gomez às 11h25
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Fragmentação da luta política: um presentão para o teu patrão São vários os fatores que fizeram com que a luta política tivesse um refluxo nos últimos anos. Poderia listar muitas razões para a decadência da militância, mas como não recebo nada para escrever neste espaço e, por isso, não posso me dedicar integralmente ao mesmo, devo fazer uma análise rápida, quiçá, trivial. No texto que segue vou me concentrar na fragmentação da luta política, uma das causas do enfraquecimento dos movimentos sociais verificado no final do século XX e começo do atual. Bom, essa é a minha análise. Com o advento da Revolução Francesa, em 1789, foi instituída, pelo governo revolucionário, uma Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que diz, entre outras coisas, o seguinte: “os homens nascem e vivem livres e iguais em direitos.” Em seguida, após esse belo início, tivemos a guilhotina e outras coisas bem desagradáveis, mas isso é assunto para outro texto. O importante da declaração em questão é que, na teoria, todos os seres humanos estariam protegidos pelos seus 17 artigos. Sobretudo após 1968, ano de grande agitação política em países como a França, a extinta Tchecoslováquia (Primavera de Praga), os Estados Unidos e o Brasil, o movimento libertário, que até ali era razoavelmente coeso, tornou-se vários e com isso perdeu o pouco da força que tinha. A vanguarda política tende a ser um movimento pequeno, mas como resultado daquele ano ela tornou-se minúscula. Do movimento que pedia, ou melhor, exigia a “imaginação no poder”, surgiram incontáveis grupos políticos, muitos dos quais, aliás, já não queriam mais contestar o status quo, mas fruir os possíveis benefícios do mesmo. A turma de 68 deu origem ao movimento negro, feminista, homossexual e outros. O que deveria ser a luta de todos, tornou-se a agenda de alguns grupos. Não há problema em tratar, eventualmente, de temas específicos, mas quando eles se sobrepõem aos princípios que deveriam nortear uma causa, observa-se, quase sempre, o enfraquecimento da mesma, seja ela qual for. Aí surge a fragmentação. Qualquer estrategista político ou militar, os melhores do gênero tendem a unir as duas coisas, sabe que o lema “dividir para conquistar” não é mera retórica. Ao invés de 10 mil pessoas em uma manifestação, são 300 homens em um protesto de gays masculinos, são 400 na manifestação das lésbicas que gostam de MPB, são mais 350 em um protesto de estudantes universitários repetentes, etc, etc, etc. Não me surpreenderia se, no futuro, um grupo revisionista exigisse que ao lado de “Homem”, a declaração francesa do século XVIII também trouxesse inscrito “e Mulheres” ou “e Homem Homossexual” ou ainda “e Homem Homossexual Negro e Solitário”. A lista é interminável. Estou exagerando? Um pouco. Mas nem tanto. Pensar na pessoa hoje somente como um ser humano é algo démodé.
Escrito por Leo Gomez às 19h01
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Há uma mulher que sabe dos planos de Deus...
Tem gente que acha que é especial. Que por alguma razão divina, tem o direito de ter o que a maioria jamais terá. Para esses iluminados, tudo, ou quase tudo, tem uma explicação plausível que, curiosamente, sempre os favorece. A desigualdade social, por exemplo, é fruto de um plano maior. O sofrimento, dizem, purifica e salva a alma do incauto, embora isso o faça viver bem menos que o seu irmão do andar de cima. Qual o objetivo de Deus com tudo isso? Eles dizem que esse é um dos mistérios que a limitada mente humana jamais conseguirá conceber. Ufa! Que alívio! Afinal, desvendar os mistérios do meu celular já tem sido o suficiente. É difícil discutir com esse tipo de gente porque eles acreditam altivamente na sua superioridade. Diante dos argumentos dos outros, o máximo que eles conseguem ter é um pouco de compaixão quando pensam que, no momento do Juízo Final, o incauto vai se arrepender de ter questionado o inquestionável. Lembrei dessa gente especial ao recordar do casório do jogador de futebol Kaká. O craque, isso é algo notório, mete Deus em tudo. Quando marca um gol, agradece Deus, quando assina um contrato polpudo também. Duvido da existência de Deus, mas desconfio que se “o cara lá de cima” existe, Ele não se envolve com o esporte bretão, ainda que este seja praticado por muitos dos seus seguidores. Assim como o esposo, a mulher de Kaká, Caroline Celico, também mete Deus em tudo. De acordo com ela, Deus fez com que o Real Madrid ficasse imune ao desastre financeiro que colocou o mundo de joelhos para que o craque pudesse ser contratado pela equipe espanhola. “Como que pode no meio da crise alguém ter dinheiro? O dinheiro do mundo tem que estar em algum lugar. E Deus colocou esse dinheiro na mão de quem? Do Real Madrid, para contratar o Kaká. Acima de tudo, é bom porque nós vamos estar podendo abrir uma igreja lá. Existem vidas que precisam ouvir este testemunho”, disse a doce Caroline ao Babado, site de celebridades do IG (o link da matéria está logo abaixo). http://babado.ig.com.br/noticias/2009/07/17/caroline+celico+mulher+de+kaka+diz+que+vai+abrir+igreja+evangelica+em+madrid+7358905.html Para quem não sabe, a sirigaita é integrante da Igreja Apostólica Renascer em Cristo. Para quem não se lembra, a fundadora da igreja evangélica em questão é a bispa Sônia Hernandes que, em 2008, foi condenada pela justiça dos Estados Unidos a 140 dias de reclusão, cinco meses de prisão domiciliar, dois anos de liberdade condicional e multa de 30 mil dólares por ter tentado entrar no país carregando mais de 50 mil dólares não declarados. O marido de Sônia, Estevam Hernandes, também foi preso na mesma ocasião. Caroline Celico mete Deus em tudo, é verdade, mas é importante prestar atenção ao que a moça fala, afinal, ela conhece os planos do Senhor. Como ela soube que Deus colocaria dinheiro nas mãos do pessoal do Real Madrid? Como ela obtém esse tipo de informação? Deus é algum tipo de investidor do mercado da bola? Algum tipo de George Soros ou o próprio especulador estadunidense? Não poderia responder nenhuma dessas perguntas: sou um reles jornalista, com pouca qualificação e nenhuma fé no Deus da Renascer. Contudo, se Caroline estiver certa, é provável que o texto que acabei de escrever esteja a serviço Dela.
Escrito por Leo Gomez às 10h09
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Ricardo Kotscho: o censor
Eu sou jornalista e sempre admirei o trabalho de um colega chamado Ricardo Kotscho. Para quem não o conhece, Kotscho é um dos mais importantes jornalistas brasileiros da atualidade e do passado recente. Não, não estou exagerando. O cara é bom mesmo. Durante o regime militar, ele coordenou uma série de reportagens, intituladas “Mordomias”, que tratavam dos gastos nababescos de políticos da época. Pressionado pela repercussão que o trabalho alcançou, o jornalista passou alguns anos fora do país esperando, digamos, a poeira baixar. Nos anos 80, Kotscho cobriu, pelo jornal Folha de S. Paulo, o movimento pelas Diretas-Já. O trabalho, como o anteriormente citado, também foi brilhante. Eu li, muito anos depois, parte desses textos. Me surpreende, portanto, que alguém com esse currículo censure ou, ao menos, mande censurar. Explico: em 31 de julho de 2009, o blog do jornalista publicou um texto intitulado “Dois anos de batalha para adotar duas filhas”. O texto trazia um relato das dificuldades enfrentadas por Gilberto Carvalho, chefe de gabinete do Presidente Lula, para adotar duas crianças. O texto é comovente, como, aliás, vários dos comentários ressaltaram, mas o que realmente me chamou à atenção foi o trecho abaixo: Durante este processo [o processo de adoção], várias oportunidades se ofereceram para a gente [Gilberto Carvalho e sua esposa] “furar a fila”. Mas tínhamos compreensão de que não poderíamos ir por esse caminho. Nas poucas vezes que decidimos examinar estas possibilidades sempre vimos que era complicado e que o melhor era aguardar. Em função desse fragmento, apenas comentei o seguinte no blog do jornalista Ricardo Kotscho: escrevi que respeitava Gilberto Carvalho, sobre quem nunca houve qualquer acusação de sacanagem com o dinheiro público ou privado, mas que o mesmo precisava denunciar quais foram as “oportunidades” que ele teve para furar a fila da adoção. No texto, Carvalho ressalta que se recusou a trilhar um caminho ilegal, mas deixa explícito que foram oferecidas vantagens indevidas em um processo que deveria ser baseado na isonomia. Para minha surpresa, o comentário foi rapidamente apagado do endereço eletrônico. Reescrevi um texto com o mesmo teor e ele foi, novamente, retirado do ar pelo “moderador” da página. Não sei se o “moderador” é o próprio Kotscho ou algum contratado. Se eu tivesse ofendido Gilberto Carvalho ou usado termos chulos nos meus comentários, eu entenderia a censura. Contudo, fiz somente uma análise de como deveria se portar um homem probo, sobretudo uma figura tão importante do poder executivo federal. Entre 2003 e 2004, Ricardo Kotscho foi Secretário de Imprensa da Presidência da República. Ele tem uma relação muito próxima com Lula e Carvalho. Eu entendo que Kotscho tenha afeto pelos dois, mas ele deveria concentrar-se no trabalho de jornalista e não no de censor, ainda que este seja motivado pela amizade. Caso o texto desperte uma entre tantas perguntas, eu já me antecipo... Sim. Eu tenho como provar o que escrevi.
Escrito por Leo Gomez às 17h17
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